Guida, a anti-social

relações interpessoais anti-social mau feitio

As relações interpessoais são necessárias, mas têm tanto de bom como de moroso.

Considero-me uma pessoa extrovertida desde sempre. Não sei se envelheci de repente, se conheço as pessoas erradas, se a minha mente me atraiçoou de tal forma que fui ficando fechada na minha bolha. O mundo caminha no sentido da superficialidade, é um facto, mas é tão certo como sermos donos das nossas vontades e liberdades.

Hoje em dia, apesar de ser extremamente sociável e falar a muita gente, converso com poucas pessoas. A paciência rareia e é canalizada para o que importa. Acabo por ser muito mais selectiva nas interacções. Contam-se pelos dedos das mãos as pessoas com quem gosto realmente de me relacionar e com quem me sinto com casa. E, acreditem que, mesmo assim, só me encontro com elas de lés a lés!

Deixei de ter um elo de comunhão com boa parte daqueles que considerava serem meus amigos:

  • Vivemos realidades diferentes. É a vida, não há queixas nisto. Há carreiras diferentes, famílias, filhos;
  • Falei em filhos? Quem os tem deve sentir isto: o leque de amizades estreita bastante, como se houvesse um fosso entre duas realidades distantes – a dos que constituíram família e a dos que ainda são solteiros;
  • Deixei de ter tempo e interesse por alguns assuntos banais e vectores de conversa de circunstância, pelo que acabo por ser uma espécie de extraterrestre alheada aos temas quentes da sociedade.

Ninguém tem tempo para 5 minutos de conversa, não há agenda para um café, não há saídas em grupo (em parte, a culpada sou eu, que fujo muito às tentativas de combinar o que quer que seja). Gosto de trocar umas linhas de conversa, mas existe algo que me tira do sério: os diálogos que se transformam em monólogos sobre trivialidades e que culminam com inexpressivos pois ou lol, como se a interacção fosse com um bot.

Fala-se muito, mas diz-se pouco. Ouve-se muito, mas não se escuta nada.

Tenho um feitiozinho de m****? Tenho! Mas estou convencida que não sou a única e que, vai na volta, o melhor é mesmo permanecer na penumbra da socialização. Qualidade acima de quantidade, é uma premissa válida neste domínio.



2 thoughts on “Guida, a anti-social”

  • Ainda há pouco tempo dei por mim a pensar no mesmo. Para já acho que algumas relações mudam logo quando passamos de solteiros para uma relação e imagino que ter filhos seja a “etapa” seguinte que afunila ainda mais o leque de amizades. Às vezes é mesmo assim a vida, mas é importante não nos fecharmos e não nos afastarmos de todos.

    Another Lovely Blog!, https://letrad.blogspot.com/

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.


%d bloggers like this: