castelo

Há uns dias, enquanto via o noticiário à hora de almoço, julguei que estava a assistir a alguma peça humorística.

Pensei, por momentos, que poderia ter entendido tudo ao contrário. Rebobinei. Fui, de imediato, ao Google e caí em mim. Era mesmo verdade!

O deputado José Manuel Coelho, do PTP, que só faz macacadas em assembleia na Madeira, foi pedir asilo ao Principado da Pontinha.

Há tanto por onde pegar nesta notícia que a minha cabeça deu tilt. Histórias tontas dentro da política, bom, ouvimo-las diariamente aos montes. Haver um Principado no arquipélago da Madeira? É toda uma novidade!

A história remonta a 2007, quando o autoproclamado Príncipe D. Renato de Barros II adquiriu aos ingleses (consta que não era nem do interesse deles nem de Portugal – vá-se lá entender quem havia de querer um calhau a 70m da praia!) o ilhéu onde se situa o Forte de São José.

Este território terá sido vendido em hasta pública em 1903, deixando de pertencer aos portugueses. Para quem quiser saber da história como deve ser, há o documentário Um Sonho Soberano que tem tudo bem explicado.

A título de curiosidade, recomendo a visualização!

A compra deste terreno onde se inclui o dito forte já é, na minha opinião, megalómana. Com o dinheiro nele investido, eu teria milhentos outros projectos – rentáveis, alguns deles – para realizar.

Claro que as mentes brilhantes poderiam ter congeminado algum plano genial para fazer com que esta compra valesse a pena.

Bem sabemos como a Madeira prospera à conta do turismo, pelo que decerto surgiria algum projecto bom relacionado com a hotelaria ou restauração.

Como o proprietário é mais criativo e ambicioso, decidiu proclamar a independência e criar uma micronação.

É assim que surge o Principado do Ilhéu da Pontinha.

Imaginam um país que não terá área superior à de uma pequena casa? O Príncipe (e alguns apoiantes, incluindo o senhor deputado José Manuel Coelho, a quem a situação seria conveniente) dizem que está tudo dentro dos trâmites legais e que, sim senhores, o Principado é independente de Portugal.

Os meios oficiais, porém, parecem não o reconhecer. Em que ficamos afinal?

Da mesma forma que esta história me parece uma anedota, aplaudo o Príncipe D. Renato pela sua criatividade e ambição e, olhem, também eu gostaria imenso de ter um país só meu para ser o que quiser e fazer o que me der na veneta. Parece um sonho que se torna real!

E é mesmo aí que se encontra o cerne da questão: as ideias (viáveis ou não, dava outra discussão) ficam-se pelo papel e só não se acabou a brincadeira porque o nosso governo ainda não teve para se aborrecer (porque há sempre outras questões mais importantes por resolver).

O governo regional da Madeira recusou-se a fornecer energia eléctrica ao forte se o Sr Renato não lhe vender o Ilhéu.

O Príncipe, numa manobra que tanto tem de tonta como de atrevida (a propósito do asilo do deputado do PTP), promete que quem invadir o Ilhéu sofrerá consequências. De quem? Dos zero habitantes da sua micronação?

A brincar se dizem as verdades. Este episódio lembra-me algo que acontece tantas e tantas vezes (ah, as tais questões de importância para o governo do nosso país!): somos donos de um terreno ou imóvel.

Se for da conveniência do Estado, não se preocupem, que mesmo que não queiramos vender, trata-se de arranjar uma maneira de nos tirarem das mãos aquilo que é aparentemente nosso.

Não é preciso procurar mais longe do que nos mesmos noticiários que passaram esta peça que mais parece saída de uma comédia, pois também nos dão conhecimento de, por exemplo, demolições de bairros inteiros, alegadamente ilegais, onde há famílias que pagam os devidos impostos (IMIs e o diabo a sete) há décadas.

Afinal, ser rei, dono ou senhor do que quer que seja é só uma mera ilusão.

Talvez o louco não seja o Príncipe.

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