Estava para aqui a gatafunhar um texto sobre o assunto dos padrões de beleza e estereótipos para publicar um dia destes. Não era urgente, até porque pretendia meditar mais sobre uma conversa que se desenrolou hoje de manhã. Não só matutei muito no assunto, como agora me deparei com o vídeo que vos mostro, de uma campanha da Dove, pelo que me parece que este post estava premeditado para agora.

Nós, pessoas, nós, mulheres, somos tão ruins connosco próprias que dá dó. Dizia uma senhora baixinha e obesa algo como “Sou simpática e inteligente, tinha de ser feia. As coisas têm de se equilibrar, não ganhei a lotaria genética, não sou alta, magra nem loira, mas tenho bons dons”. Foi no contexto académico, e o tom era de brincadeira, mas mesmo assim fiquei cheia de comichões. Olha que gaita, então agora só somos bonitas se formos altas, magras e loiras? Se formos top models? Era o que mais faltava! Não falem por mim, que eu não deixo.

Ainda não consegui compreender como é que pessoas que, aparentemente, são inteligentes e bem formadas depois são tão fúteis e se espalham com as questões da autoconfiança, do autoconceito e da autoimagem. A sério, duh, a sério que não se valorizam? A sério que não vêem beleza na diversidade, ou vêem mas só nos corpos alheios? É que isto de dizermos a quem gostamos que está muito bem fisicamente e que tem de se deixar de parvoíces é muito giro, mas muitas vezes não fazemos o mesmo por nós. E, acreditem, o amor próprio faz milagres e traz-nos as melhores ferramentas de beleza.

O vídeo da Dove é de dar cabeçadas na parede. Contra mim falo, possivelmente, que também tenho os meus piripaques pontuais, mas não gostava de encarnar em mais ninguém. Estou bem como estou, brinco e tiro partido do que tenho. Pergunto-me até que ponto estas inseguranças todas não derivam da maldade e mesquinhez da sociedade e dos media. Vivemos num mundo cruel, mas sou da opinião que em muitos casos a capacidade de assertividade poderia ser suficiente para resolver os dramas de muito boa gente.

Embora respeite a decisão, fico espantada com a quantidade crescente de pessoas que têm assumido as suas inseguranças e feito drásticas e perigosas modificações de cariz estético. Para quê? Será que é mesmo para agradarem a si próprias? Desde os “namorados” calhaus que são ofensivos e tecem comentários desnecessários, passando pelas famílias que tanto metem o nariz nos nossos pratos, é claro que algo não está bem na nossa cultura. Não podemos deixar que nos afectem com coisas tão parvas, nem podemos fazê-lo a outrem. Parece que, de repente, temos de obedecer a certos padrões e estereótipos (mais do que nunca, e que vão mudando velozmente), senão somos o “intruso” no meio do grupo.

É uma questão de educação: de todas as partes e para todas as partes. Se somos confiantes, somos fúteis, arrogantes e presunçosas. Se não somos, somos umas fracas. Cobram muito de nós. Parece-me que quanto mais se fala do assunto, piores são os resultados e maiores são os dramas! É vivermos felizes como somos e com o que temos e deixarmo-nos de lamúrias da treta. Pode ser?

4 comments on “Etiquetagem”

  1. Estou contigo- sempre a dizer que a beleza vem em diferentes tamanhos e feitios, basta é tirar partido, mas farta de tanto mimimi e vídeos “ai que feia que eu sou, sou linda por dentro”. Haja paciência.

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