marilyntransp

Apetece-me falar da transparência, mas não tenho muito para dizer. Sou transparente, e quem não deve, não teme. Não é da transparência das roupas que me apetece falar neste post, que cada um sabe de si, embora dê para opinar sobre esse assunto um dia destes.

Ultimamente, tenho lido muitas opiniões, tanto de bloggers como de leitores, sobre algo a que chamam “transparência dos conteúdos” relativamente à sua origem. Fala-se maioritariamente de produtos, das mais diversas ordens, e questiona-se a honestidade dos autores dos blogs quanto à forma de obtenção dos mesmos. Chamam à baila exemplos de outros países, onde inclusivamente já existem leis sobre a publicidade em blogs, e muita gente defende que os posts publicitários devem estar identificados de forma clara. Não vou dissertar muito sobre esta polémica, até porque desta questão da publicidade e dos lucros com blogs já falei aqui, mas gostava de deixar no ar a minha opinião sobre a clarificação da proveniência dos conteúdos e, quem sabe, gerar um debate.

Tenho a certeza que os meus leitores não são tolos nenhuns. Se estão a ler este texto, neste blog, se cá voltam recorrentemente, espero que saibam que uma das premissas de tudo o que aqui publico é a honestidade. Não quero, de forma alguma, que as pessoas saiam daqui enganadas.

Se acho que a publicidade deve estar devidamente identificada? O que é a publicidade? Enquanto leitora, não me interessa minimamente se os blogs que leio publicam opiniões sobre produtos que receberam ou compraram. O que me interessa, é que essas opiniões sejam honestas, isto é, que resultem da experiência pessoal. Assim sendo, enquanto blogger, parto do mesmo pressuposto. A partir do momento em que menciono o nome de uma marca, seja aqui ou numa conversa informal com amigos, seja o produto dado ou comprado, estou a fazer publicidade. O que eu digo, independentemente da proveniência, não deixa de ser verdade.

Se há lojas e marcas que pagam para que eu escreva algo sobre o que vendem? Há, mas está bem explícito na nossa relação que eu sou livre de dar a minha opinião, seja ela qual for. E foi o que sempre fiz, de forma honesta.

Se há blogs que não o fazem? Eventualmente, mas bem vos disse que vocês não são tontos, e eu também não sou. Sabem identificar essas situações, não sabem? Se não sabem, aqui têm umas luzes, e tenho a certeza que irão reconhecer algumas situações típicas. Então, o remédio é simples: ignoram-se esses casos isolados e… Blogs para ler há muitos. Mais, se não estão satisfeitos com o que tem sido feito actualmente no domínio dos blogs, sugiro-vos que criem os vossos à maneira daquilo que gostariam de ler e não encontram.

Para mim, este problema das “transparências” é só mais uma tempestade num copo de água.

6 comments on “”

  1. Como leitora, não me incomoda se não apresentarem o famoso asterisco, até porque tenho olhos na cara e percebo quando há uma review falsificada. Como blogger, pediram-me que o fizesse, por isso aderi ao asterisco. Porque sinceramente, não me traz qualquer desvantagem, uma vez que dou a minha opinião da mesma forma caso ele seja comprado ou oferecido. Acho que até acaba por dar mais algum crédito às bloggers honestas que o adoptam, porque assim as pessoas percebem que, seja oferecido ou não, damos a nossa opinião honesta.

    • Eu nem sequer chego a pôr em causa a veracidade da review, havendo asterisco ou não! É mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo, e normalmente as reviews pouco honestas têm tudo de bom, e é assim sempre. Parece que não há cunho pessoal. Eu confio muito em ti, com ou sem asterisco 🙂

      Beijinhos

  2. Como disse, acho que não é porque um produto foi cedido pelas marcas que as reviews deixam de ser honestas. É claro que há pessoas que acham que têm de dizer maravilhas só porque foi dado e querem continuar a receber, para mim isso é que está mal! Ninguém come batons e cremes, e mesmo que haja contratos, as pessoas precisam de ter o discernimento de analisar e não comprometer os seus valores e ideais. Levanta-se outra questão, “então por que é que nunca falam mal do que recebem?”. Pessoalmente, deixei de ver utilidade nesse tipo de posts. A menos que seja algo realmente mau (ou que seja um grande hype e toda a gente esteja a falar bem), ou que eu ache que merece um alerta porque provocou alguma reacção adversa. Não quero ver o meu blog “poluído” 🙂 Nas restantes reviews, também gosto de salientar o que não gostei tanto. E isto tanto é válido para o que recebo como para o que compro. É a tal velha história: se as pessoas não gostam de ler, em vez de ficarem ofendidas, deveriam procurar ou fazer outros blogs. Eu confio no que tu dizes e gosto muito do teu blog, já o disse, e gostava muito que a gestão de marketing das empresas que trabalham com blogs funcionassem de forma diferente. Acho que, em muitos casos, andam a favorecer os blogs errados. Mas isso dava outro debate 😛

    Beijinhos

  3. Eu antes de bloguer, sou sempre leitora. Enquanto leitora, sinceramente não me faz diferença se a bloguer recebo ou não produtos. Como disseste, mesmo comprando e falando, está-se a fazer publicidade.
    Eu por acaso acabo por seguir mais blogs ingleses e lá não é preciso muito. Normalmente assinalam o produto com um asterisco e dizem que foi PR Sample. As suas reviews não deixam de ser honestas. Por vezes conseguem ser mais honestas que as de outras bloguers que até compraram o produto. Há que saber pesquisar e fazer uma triagem. Eu quando quero saber informações sobre um produto, procuro mais do que uma review. Posteriormente até as comparo. Até porque um produto pode reagir de forma diferente em pessoas diferentes. Por exemplo eu faço “alergia” aos vernizes da kiko. Lá por eu ser alérgica a eles, não significa que as outras pessoas o sejam e que todas as reviews positivas em relação a esses vernizes sejam falsas.
    Enquanto bloguer, sou aquilo que sou enquanto civil : honesta. É óbvio que muitas vezes existem produtos que comigo funcionam e com outras pessoas não funcionam – eu por exemplo adoro o esfoliante e a máscara da the body shop, mas quem tem pele sensivél poderá não se dar bem com ela. Eu não sou fã dos color tattoo da maybelline e das suas máscaras, mas há quem goste e as use todos os dias.

    Como disse, é preciso saber fazer alguma triagem. Se virem que bloguer X não se enquandra num bom perfil, ou no que pretendem de um blog, é deixar de seguir e passar para outro.

    Gostei bastante do teu post. Beijinho*

  4. Confesso que por vezes me fazem espécie algumas reviews, principalmente aquelas em que se fala mais da marca do que do produto, e me deixam a pulga atrás da orelha a pensar o que andará por trás daquilo… Eu própria não refiro quando um produto de que falo me foi enviado, simplesmente porque nunca me passaria pela cabeça falar bem ou mal por ordens de outrem. Mas que há quem o faça, há. E por nem sempre conseguir distinguir a olho nu esse casos, não sou contra a identificação dos posts pagos, até pelo contrário; quanto aos outros, cada um sabe de si 😉

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