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O dia em que a Teresa nasceu

hospital beatriz ângelo

Parece que foi ontem, mas já lá vai quase um ano. Cada vez que vejo, são tantas as vezes que vejo, vejo sempre para me lembrar sempre. Cada vez que vejo os registos tantos que fui fazendo, esqueço-me que já passou este tempo todo. Passou a correr. Ainda ontem estava a preparar a chegada da minha Teresa.

Tenho de falar do dia antes do dia. Iria ser a primeira consulta de CTG. 13 de Julho de 2016. Já passávamos das 38 semanas. Decorreu sempre tudo de forma pacífica, pelo que não me aborreci com a marcação algo tardia (e adiada…) da consulta quando recebi a carta do Hospital Beatriz Ângelo (HBA). Calhou-nos pela proa uma administrativa horrorosa que se recusou a registar a nossa presença quando chegámos, ainda antes da hora da consulta. Referiu que deveríamos ter chegado pelo menos meia hora antes. Que agora o médico já não a vai ver. Aqui tem a remarcação, para depois da data prevista do parto.

Fiquei furiosa, ansiosa, triste com tamanha insensibilidade e incompetência de um serviço que deveria funcionar em pleno e que tantas horas me havia feito esperar ao longo de todo o processo da gravidez. Apeteceu-me armar o maior escabeche nas urgências de obstetrícia, que estava nervosa e indisposta com este incidente. Optei antes por colocar os nervos na bagagem e regressar a casa.

Acalmámos, jantámos, deitámos. Afinal, haveria de correr tudo bem e a bebé chegaria ao mundo quando tivesse de chegar. Poderia faltar algum tempo. Uma, duas, quiçá três semanas. Adormecemos, com alguma dificuldade. O Luís pouco tinha dormido na noite anterior e preparava-se para, mais uma vez, acordar às cinco horas.

Acordei com um ploc dentro de mim. Não tive tempo de pensar no que era, porque a cama ficou alagada nesse instante. Amor, acorda. A Teresa vai nascer. Rebentou a bolsa. Eram duas e meia da manhã. E agora, o que fazemos? Perguntava ele em alvoroço. Arranjámo-nos calmamente, pegámos nas nossas coisas, ligámos aos nossos pais e em coisa de quinze minutos estávamos a dar entrada nas urgências do hospital. Foi rápido e indolor.

Na triagem, a coisa piorou: começaram as contracções horrorosas. O Luís ficou lá fora. Só quando já estava instalada no bloco (no HBA, há quartos isolados onde permanecemos durante todo o trabalho de parto), com duche tomado e toda uma panóplia de cabos, tubinhos e tubetas, é que o chamaram. As condições são, efectivamente, muito boas e diferentes da maioria dos hospitais públicos. Há cromoterapia, música a gosto, bolas de pilates e toda uma série de recursos para ajudar a melhorar este processo que pode ser muito moroso.

Pensei, na minha inocência, que a coisa iria ser rápida. Cerca das sete da manhã, muitas contracções, nada de dilatação. Precisava de, pelo menos, 4 dedos para poder fazer a epidural. Já gritava por ela! Foi necessário o recurso a fármacos, mas lá avançámos um bocadinho e finalmente tive direito à bendita anestesia. A manhã foi passando, fomos mantendo o contacto telefónico com as pessoas mais importantes, pairava muita ansiedade no ar.

Nada de dilatação, faça assim, faça assado, só não fiz o pino porque estava ligada ao CTG (que neste quarto ainda era cheio de fios), tenho fome, mas não pode comer, só esta gelatina, agora o pai tem que sair para fazermos o toque, pai já pode voltar. E eu já estava exausta. O Luís já estava exausto. Toda a equipa estava, com certeza, exausta e farta de aturar as minhas macacadas – acreditem, todos os profissionais de saúde e auxiliares que encontrei desde a entrada na urgência até à alta foram impecáveis! E a Teresa teimava em não vir conhecer o mundo.

Aparentemente, a piquena tinha a cabeça mal posicionada e não havia maneira de se endireitar. E as horas passavam. E as dores voltavam, vinham as repicagens da analgesia, eu melhorava qualquer coisa. Estava cansada. Não avançávamos. Aproximava-se a hora do jantar e nada de Teresa. Atravessámos três turnos, estamos a dizer olá novamente aos enfermeiros da noite anterior. Que raio descansaram eles, a sair depois das 9h e a estar por cá às 15h30′? Não quero esta vida para mim. Espero que jantem por mim.

Começava a ver o meu caso mal parado. Ouvia-os, todos, a falar em código. Não iria conseguir parir sem ajuda. E se agora vamos para cesariana? Eu não quero! Podem falar de ventosas e fórceps sem códigos, eu sei, não me assustam. Decidam, por favor, quero a minha filha! As dores voltavam, havia alguma hesitação no reforço da analgesia porque estava cada vez mais perto do grande momento e teria de sentir qualquer coisa para cooperar.

Fórceps, foi o que foi. Pediram ao pai para sair e o processo de expulsão foi algo que me custou muito, embora tenha a noção de que aconteceu depressa, o momento em si. Não sei por que é que pediram ao pai para sair do quarto. Há homens sensíveis, mas o meu não é um deles, bolas! Logo a seguir (obviamente!) entrou para poder pegar na bebé ao colo e viu tooodo o cenário escangalhado.

Sabe muito melhor que eu dos estragos ocorridos e de todos os pontos que levei – e que me custaram tanto, porque os senti bem de mais a todos! – por dentro e por fora. Não ficou traumatizado. Passei por uma episiotomia (teve que ser e fui informada, tal como em todos os outros momentos) e ainda ocorreu uma laceraçãozita noutro local. Se chegaram a esta parte da leitura, não se assustem! Passadas duas semanas, parecia que nada tinha acontecido.

Sabem que mais? É mesmo verdade quando nos dizem que, por maiores que sejam as dores, esquecemos (quase) tudo imediatamente quando temos os nossos bebés nos braços. Às 21h15′ do dia 14 de Julho de 2016, nasceu a minha Teresa. Foi, é, o melhor desta vida. Não sei como aconteceu, mas apaguei as horas dolorosas anteriores ao momento. E foi uma festa. Senti que toda a equipa estava realmente connosco, feliz connosco, a dar o melhor por nós.

Fomos para o recobro, no mesmo serviço. A Teresa teve maminha. Pouco tempo depois, fomos transferidas para o internamento – no HBA, os quartos do internamento acolhem duas mães e os seus respectivos bebés, que estão sempre ao pé de nós. Cada quarto tem o seu quarto de banho, é mesmo um hospital excepcional no que toda às condições. Não tivemos acesso aos nossos pertences, já que devem ser trazidos dentro do horário de visitas (antes das 20h). Ainda assim, foi-nos providenciado tudo aquilo de que poderíamos necessitar nas primeiras horas.

Posso dizer que nem meia hora depois de estar no internamento, já tinha ido à casa de banho autonomamente. Tomei duche e tudo. Tive dores, sim. Os primeiros dias do pós-parto foram um pouco aborrecidos nesse aspecto, mas nada do outro mundo – fico mais transtornada, por exemplo, quando tenho uma gripe daquelas mesmo feias. Tivemos alta menos de 48h depois e a estadia não poderia ter sido melhor. Ok, se por lá passarem, levem uns acepipes.

Não fiz nenhum plano de parto previamente e não creio que tivesse necessitado. Para mim, o meu parto foi o mais humanizado que poderia ter sido – num hospital, com todos os recursos necessários para assegurar que nada correria mal, com conforto e com muito respeito. Decorreu em óptimas condições, contei com óptimos profissionais de saúde, estivemos sempre a comunicar, coloquei as questões que entendi serem necessárias e obtive sempre resposta. Aturaram coisas que não eram da sua competência, sempre com a maior amabilidade.

Nunca é possível prever um parto, pelo que acredito que as coisas aconteceram como tinha que ser e fomos – eu, a Teresa e o Luís – tratados com a maior dignidade. Melhor, só se tivesse sido mais rápido, mas não poderíamos ter feito mais nada neste sentido. Não poderia ter escolhido melhor o local de nascimento da Teresa e recomendo mesmo muito o HBA. Daqui a uns anos, é lá que quererei ser mãe novamente.

O Álbum da Teresa

álbum de bebé

Os primeiros tempos da vida de um bebé passam a correr.

Parece um cliché, mas garanto que é verdade. Todos os dias os petizes aprendem coisas novas e, nos primeiros meses, crescem visivelmente da noite para o dia. Acreditem quando vos digo que há coisas importantes que, se não registamos, acabamos por esquecer muito rápido.

Eu faço questão de tirar muitas fotos, gravar vídeos e registar momentos da Teresa. Como um arquivo que não é tratado é uma espécie de arquivo morto, faz todo o sentido manter e organizar um álbum (mais álbuns, mas um como “resumo”) do primeiro ano de vida.

Antes de a cachuchinha nascer, pedi-vos ajuda na escolha do melhor álbum. Bom, até poderia ter sido eu a fazê-lo, mas já tinha assuntos a mais em mãos. Vi álbuns para todos os gostos: artesanais, produzidos em série, incompletos, com floreados a mais, a custarem os dois rins, baratos e feios… Até álbuns com fotografias de outros bebés na decoração eu encontrei. Qual é o sentido? Não é suposto serem os nossos bebés os protagonistas destas recordações?

álbum aiaimatilde

Acabei por optar pelo álbum da Aiaimatilde. Tenho vários artigos desta marca portuguesa, adoro todos e o álbum de bebé ia de encontro a tudo o que procurava: é lindo, tem um formato prático de manusear e compor, dá para registar tudo o que é mais relevante, não é caro (custa 12.50€) e sei que a Teresa vai adorar folheá-lo quando for mais crescida.

Há para menino e para menina, e só me arrependo de não ter pedido para personalizar a capa com o nome da minha pequenina.

Matilda, a Gata

bosques da noruega

Em minha casa, as minhas regras.

Cresci habituada a ter animais de estimação, embora com algumas restrições. Na casa dos meus pais, a princesa era (e é) a Nina. Havia uma certa simpatia por cães, mas gatos nunca foram permitidos. Manias e preconceitos, vá-se lá entender.

Quando eu e o Luís nos juntámos, foi consensual que adoptaríamos um gato assim que possível. Aliás, imaginem-me na sala de partos do hospital (porque isto aconteceu), no pico do sofrimento, numa lástima, a praguejar e a dizer que o próximo filho só poderia ser cão ou gato. É claro que me passou a maluqueira, de tal forma que queremos manos para a Teresa, mas acabámos mesmo por trazer uma miau cá para casa.

Se o respectivo já tinha experiência com gatos eu, pelo contrário, não sabia muito bem o que esperar. Sempre me venderam que os gatos são animais ariscos e traiçoeiros, pelo que tinha algum receio. Cá para nós, com base no senso comum e na experiência do Luís, teimámos que queríamos um macho grande, felpudo e pacífico.

gata

gata

E eis que a Mati nos cai do céu.

Literalmente! Foi num sábado, no início de Novembro, que a história começou. A Tânia contou-me que lhe tinha caído uma gatinha no quintal. Linda, felpuda, de porte pequeno e muito dócil. Derretemo-nos, e como a Tânia não podia acolher mais bichanos (porque já tem dois), ficou decidido que se a gata não tivesse dono, viria morar connosco. Não há acesso directo ao local onde foi encontrada, pelo que foi necessário tratar do assunto com cautela.

Passaram dias, passou uma semana, foram feitos anúncios, averiguou-se se teria chip (não tinha), perguntou-se porta a porta e nunca surgiu ninguém. As expectativas foram crescendo, dissiparam-se as dúvidas e… Agora a Matilda faz parte da nossa família!

Matilda, Mati

Foi o nome que escolhemos sem ter de pensar muito. É o nome de um tanque de guerra. Eu própria sugeri, por causa de um jogo que o Luís tem na consola (World of Tanks), que se fosse um macho seria o Panzer ou o Maus. Sendo fêmea, tinha de se chamar Matilda. Não podia ser mais simples.

Temos tratado dela como a princesa que é e confiámos desde logo na Flamvet para todos os cuidados de saúde (checkups, vacinação e esterilização) necessários. Adoro a Dra. Marta (é a veterinária da Nina) e recuso-me a ir a outro lado ou ser atendida por outros profissionais.

bebés gatos

Estima-se que a Mati tenha agora cerca de 9 meses. É uma minorca (não pesa sequer 4kg) e pensamos que não vai crescer muito mais, embora seja provável que descenda de uma mistura de gato Europeu Comum com Bosques da Noruega. Está tudo bem com a saúde dela, e desde que está connosco já ganhou muito e bom pelinho. Está cada vez mais fofa!

Ficou integrada muito rapidamente e é muito mimosa – esta parte assusta-me, porque é tão dócil que aceita festinhas de toda a gente, o que nos deixa especialmente preocupados e amedrontados com a possibilidade de uma fuga acidental de casa. É ter cuidado em duplicado, pela Teresa e por ela.  É muito pacífica, não faz grandes avarias e até à bebé dá miminhos, com o bónus de respeitar o espaço e as coisas dela (devo tê-la apanhado duas ou três vezes em cima da colcha do berço e nada mais que isso).

Nunca pensei que fosse possível encontrar uma gata tão especial e docinha. Cá por casa, estamos encantados com a filha felina!

gato

Guida Casada

casamento civil

Como se 2016 não tivesse sido emocionante o suficiente, hoje casei com o Luís, o pai da Teresa, o meu amor.

Não mudou grande coisa. O que fizemos, vendo bem, foi reforçar e formalizar o que temos. Amamo-nos, vivemos juntos e temos uma filha. Só faltavam o papel e o anel.

Já tinha partilhado, algures nestes 8 anos de blog, que não fazia questão de casar. Porém, confesso que sabe bem ter tudo tratadinho por escrito. Saber que é mesmo verdade!

alianças

Foi tudo discreto e decidido em pouco tempo. Não contámos a muitas pessoas. Fomos ao Registo Civil, convidámos os nossos pais e irmãos e, com a nossa Teresinha também presente, oficializámos a nossa situação perante a lei.

Talvez futuramente façamos uma grande festa, mas por ora é isto que importa e foi mais um marco importante na nossa história.

Quem não tem quando pode, não vai poder quando quiser.

família

Dei por mim a escrever, rescrever e riscar este texto muitas vezes. Porque é pessoal e porque é delicado. Apesar de não ter nada de mal e de ser algo em que penso muitas vezes, todos os dias, várias vezes, é a minha opinião sobre um assunto importante e que me é muito querido porque tem tudo a ver com a fase em que me encontro na vida: a parentalidade/maternidade.

A verdade é que cheguei à conclusão que, não sendo nenhum crime (muito pelo contrário!), partilhar o que tenho a dizer até pode ser útil e ajudar quem esteja a passar pelo que me aconteceu, de certa forma. Afinal, é para isto que serve um blog, não é? É isto que faço sempre: partilho conteúdos com os quais me identifico de uma forma ou de outra. Senti que era bom partilhar um bocadinho desta questão que é tão pessoal.

O melhor que aconteceu na minha vida foi o nascimento da minha filha Teresa. Tenho a certeza que a maior parte de vós que me lê neste momento e tem descendência irá concordar que ter filhos é a melhor coisa do mundo. Compreendo, porém, que haja quem pense de forma diferente e respeito muito as decisões dos outros. Só assim é que posso pedir que compreendam e respeitem as minhas.

Acredito que tenham uma ideia, no geral, da minha história, mas cá vai uma partilha que pode ajudar a compreender o rumo inesperado (mas bom) que a minha vida tomou. Porque há fofocas e mimimis. Porque é desconfortável enfrentar juízos alheios quando não os pedimos. Porque devemos partir do pressuposto que uma pessoa adulta assume a responsabilidade dos seus actos e sabe o que é melhor para si e para os seus.

Porque não temos de ser todos carreiristas nem viver sob o domínio de trabalhos e dinheiros, na angústia de pensar que o futuro nos trará as condições que queremos dar aos nossos filhos. Porque é muito feio ouvir os “oh, tão nova?” que as pessoas que não conheço de lado nenhum e que, face à minha intervenção, respondem que não me dariam mais que 16 anos. Mesmo que só tivesse 16 anos, ou que tivesse 50 anos, cada um sabe o que é melhor para si e para os seus e se, ainda por cima, os estranhos não estão sequer na disposição se está tudo bem ou como podem ajudar, mais vale não dar nenhum palpite.

Acima de tudo, se há sempre histórias más e desfechos maus, quero passar um testemunho de que também se constroem finais felizes mesmo quando, no início da jornada, o futuro parece negro e complicado. Acima de tudo, devemos fazer o que nos parece melhor para ficarmos de consciência tranquila e manter a nossa integridade. Nossa. O que os outros dizem não deve ser o nosso foco e não podem ser eles a decidir o que fazer da nossa vida.

A minha gravidez não foi planeada. É irónico, no mínimo. Como é que, em pleno século XXI, com métodos contraceptivos (quase) infalíveis, uma estudante de enfermagem no fim da licenciatura se mete numa embrulhada destas? Não foi por desinformação. Não foi por descuido.

Apercebi-me muito cedo. Senti-me diferente e quis logo saber o que estava a acontecer no meu corpo. Confirmou-se: pelas contas, estaria grávida de 5 semanas. Apesar de estar num relacionamento recente, decidimos que queríamos muito um futuro em comum e com filhos. A Teresa não foi planeada mas foi muito desejada por nós, desde sempre.

família

Inicialmente, houve muita pressão e muitas decisões difíceis para tomar. É nestas alturas que conhecemos devidamente a nossa família e os nossos amigos. Acreditem: virão forças de onde não imaginavam, mas também vão descobrir que muitas pessoas que, até aqui, pareciam próximas irão desaparecer. Deixem-nas ir, porque não precisam delas. Foquem-se em vós, repito. É nestas alturas que é mais importante olharmos para nós e não dispersar.

Se há clichés pessimistas (e se passam/passaram por algo semelhante, têm conhecimento de muitos destes), deixem-me destacar um cliché muito positivo e optimista: as condições criam-se. Isto aplica-se a qualquer decisão que tomem e é mesmo verdade. Podem crer que quando queremos muito algo, é meio caminho andado para que o objectivo seja cumprido. E nós estávamos decididos a ser bem sucedidos na missão de trazer a Teresa ao mundo.

Não foi nada fácil, mas pegámos no que a vida nos deu e lutámos pelo que é nosso. Imaginem: um casal jovem sem poupanças e a ter de construir tudo do zero numa questão de meses. Se conseguíamos dar conta de tudo sozinhos, os dois? Não sei. Tivemos muita ajuda, é um facto. Tivemos muita sorte e considero que foi uma bênção ter quem se preocupasse connosco e pudesse dar a mão. Mas também temos muito mérito pela nossa determinação, empenho e trabalho. Faço aqui um aparte para as mães solteiras deste mundo: vocês valem por mil mulheres numa só! Sozinha, então, eu não conseguiria dar conta do recado.

Um ano depois do início desta aventura, ainda há arestas para limar (quem não as tem em início de vida de adulto?), mas posso dizer-vos que cumprimos os nossos objectivos. Conseguimos! Temos a nossa família linda, temos a nossa casa, temos as nossas coisas, estamos organizados, somos autónomos e felizes. Temos muito mais do que muita gente que se massacra a matutar no tal futuro melhor e propício à família. Eu não me imagino mais feliz do que sou agora!

Tenho cá para mim que a Natureza se encarrega de equilibrar tudo à sua maneira. A taxa de natalidade estava a descer a pique nos últimos anos e, de repente, há bebés em todo o lado. Sem dúvida, ter um filho é uma decisão muito importante e de muita responsabilidade. Não condeno quem não os quer ter e dá prioridade a outras decisões, mas nesta questão da maternidade eu considero que não sou eu quem deve decidir sobre outra vida que não a minha. Felizmente, não fiquei sozinha.

Tudo acontece por um motivo. Para mim, ter filhos é uma bênção e, sem dúvida, um grande marco na realização pessoal. Se era agora o momento ideal? Se há coisas que gostava de ter feito e não fiz? Ser mãe não faz com que outros objectivos caiam por terra e, como referi antes, as condições são algo que se cria e as oportunidades são para agarrar quando surgem.

Quem não quer quando pode, não vai poder quando quiser. Pensem em quantas pessoas adiam o sonho da maternidade, pelos mais variados motivos. Pensem nas pessoas (muitas delas até podem estar dentro dos nossos círculos de amigos) que tentam ter filhos e não conseguem. Pesquisem sobre as estatísticas relacionadas com a reprodução e vejam para onde caminhamos com tantas preocupações. Temos filhos cada vez mais tarde e, muitas vezes, já nem os conseguimos fazer como antigamente. Vejam os números relativos às consultas de reprodução assistida em hospitais e clínicas privadas.

Deste lado, optámos por ser muito felizes com a sorte que nos calhou. Como devem calcular, o último ano foi uma (boa) montanha russa e é por causa de tudo o que há de novo que tenho estado ausente. Optámos por mudar um bocadinho os nossos caminhos, as nossas vidas deram uma volta de 180º, mas eu não poderia estar mais realizada. Ser mãe é mesmo, mesmo a melhor coisa do mundo!

(Quase) 3 Meses Depois

baby girl
A minha Teresa, já com dois meses e meio, a ficar com muito cabelinho.

Ainda não estou operacional.

O que quero dizer é que, olhem, bem, não sei muito bem o que quero dizer. Estou um bocado (grande!) desorganizada nesta nova logística da maternidade. Até era menina para escrever que admiro muito as mães que conseguem fazer 1001 coisas sozinhas, muitas vezes com mais que um filho, mas já descobri (em boa parte, pelos milhentos baby blogs que existem hoje em dia) que é tudo uma grande peta e que não há cá histórias de milagres e mares de rosas: há poses para as fotografias e, quase sempre, empregadas domésticas pelo caminho.

família

Já nasceu a Teresinha!

Não é novidade para vocês, já que fui minando o Instagram e o Facebook com fotografias que acusam a existência da minha pequenina linda. O parto custou um bocadinho, mas correu tudo muito bem, recuperei rápido e tem sido uma alegria. Logo explico tudo, tudo. É que isto de voltar à escrita é muito bonito, mas tenho muito para contar e pouco tempo para escrever. Quem inventou a licença de maternidade deveria ter-lhe chamado licença de adaptação a pequenos seres com muita personalidade e muito dependentes da mamã/mama!

Há meses que digo “é hoje que vou postar”.

Tenho rascunhos e tenho ideias. Quando olho para o relógio, passou mais um dia e eu continuo com muitas tarefas pendentes. Sigam o meu conselho: não combinem mudanças com ter filhos. Guardem estas aventuras para momentos diferentes da vida, ou darão por vós como eu, que já cá tenho a garota e a minha casa ainda parece um estaleiro de obras. Escusado será dizer que a Teresa nasceu em Julho e em Outubro ainda não tem o seu quarto pronto. Sabem que mais? É porque também não lhe faz falta, que ainda dorme comigo e com o papá no nosso quarto.

Resumidamente, muito resumidamente, é isto que vos digo. Os meus dias consistem em cuidar e mimar muito a Teresa, tentar descansar qualquer coisa (acreditem que é muito complicado quando há uma bebé linda mas muito chatinha e que mama exclusivamente e em livre demanda) e fazer algo pela casa. Só agora é que começo a ver tudo mais composto e, ainda assim, escrevo-vos quase às 3 da manhã de um feriado.

Estou de volta!

E espero que vocês não tenham fugido. Muito obrigada pela vossa compreensão.

babywear

O dia em que o meu irmão quis adoptar um mini porco

Mini Porco
Porquinho fofo. Imagem de origem desconhecida.

Reza a história que, há uns dias, o meu irmão chegou a casa com ideias de trazer um mini porco. Que era pequenino, fofinho, de tamanho mini, que era um colega que tinha uma quinta e que lhe dava um se quisesse. A minha mãe não se opôs muito à ideia (aiii, que diz que não fica muito grande!). O meu pai, por sua vez, ditou logo que tal bicho só poderia habitar no panelão.

Faça-se aqui uma pausa: eu também sou doidivanas e garanti ao meu irmão que, caso trouxesse o piglet fofo, que eu não o deixaria ficar desalojado. O L. disse logo que um porco é um bom “investimento”, que sempre se aproveita para febras e enchidos. Claro que eu nunca deixaria que tal catástrofe acontecesse, parece-me que até deixaria de comer carne de porco.

Até fiz logo o baptismo do bicho mesmo sem o ter por cá: por que não chamar-lhe Jámon, ou Kevin (ai o trocadilho…)? Chouriço também era uma boa hipótese, e se fosse fêmea sempre haveria a possibilidade de chamar-se Febra ou Bochecha. Por que não Dobradinha?

Não sendo um cão, e sendo um filhote, aposto que até a Nina se derretia com o porquinho e ainda o adoptava. Imaginei-me a levá-lo à veterinária: ela já deve pensar que somos doidos, que já tivemos dois coelhos bravos. Já sugeriu que ficássemos com dois “exóticos” que lá foram parar, uma gaivota e um porco espinho. A Nina, sendo um dos casos mais antigos e bicudos por lá, já faz furor. Imaginem se aparecesse com um mini porco!

No fim da história, houve aquela parte chata em que nos enchemos de bom senso e decidimos que não podia ser e que não iria ser justo para o suíno fofo. Iria precisar de um quintal, que não temos. Iria precisar de muito método na sua alimentação e educação, que não temos. Já estou mesmo a ver no que daria deixar um animal pequenino dormir nas nossas camas para depois lhe dizer, em crescido, que já não pode ser. Iria de precisar de muito espaço dentro de casa, que não temos. E um mini pig é bicho para pesar, no mínimo, 40 ou 50kg em adulto (ronda só o meu peso habitual!).

Talvez um dia, quando for uma velhota do campo reformada, ou quando me sair o Euromilhões e puder, efectivamente, viver numa zona mais rural na periferia de Lisboa se concretize esta ideia…

Mimobox

mimobox

A minha ervilhinha ainda não nasceu, mas já é a princesa mais mimada de todas. Na semana passada, recebemos cá em casa uma mimobox. Para quem não conhece, a mimobox é um serviço de subscrição mensal que surgiu no início deste ano e que consiste numa caixa cheia de produtos e miminhos para mães e bebés, consoante o estadio de desenvolvimento da gravidez/criança. 

mimobox

O processo de encomenda é muito simples: primeiro, preenchemos um questionários, para que sejam apuradas as nossas características. Posteriormente, a cada mês é-nos enviada uma caixa, com preços a partir de 18€ (consoante a frequência da assinatura – 1, 3 ou 6 meses), que contém entre 6 a 8 produtos em full size que vão de encontro ao que respondemos no inquérito. Assim, garante-se que recebemos conteúdos úteis e do nosso agrado, para nós e para os nossos bebés.

mimobox

Não há duas caixas iguais, e eu fiquei muito contente com a minha mimobox deste mês. Posso dizer-vos que há aqui produtos que, sozinhos, mais que asseguram o preço da subscrição. Todas as marcas incluídas são conhecidas pela sua qualidade.

As bolachas Digestive Go! da Triunfo e o snack de maçã da Fruut são daqueles bónus muito úteis, que já se sabe que dá jeito trazer algo na mala para petiscar nalguma eventualidade. Tenho lido muitas coisas boas sobre o creme para as estrias da Palmer’s, nunca o tinha utilizado e estava curiosa, e o mesmo se aplica ao Hyaluron Filler da Eucerin.

O resto é para a Teresinha: BioGaia (bem sei que vai dar jeito para as cólicas!),Creme Muda Fraldas Halibut (que já tinha incluído na cestinha dela e nunca é de mais), Creme Bebé Oleoban, Toalhitas Well’s e uma chupeta Avent (já tinha duas da mesma marca, mas noutras cores, e também é das tais coisas que me parece não ser de mais). Também há um livro de histórias em inglês, e livrinhos em jeito de álbum para preencher com coisas bonitas da vida da bebé.

Recebemos 8 produtos que irão, com certeza, ser utilizados. São produtos que se compram com frequência e basta fazer as contas para chegar à conclusão que, tudo junto, daria para fazer uma subscrição de pelo menos 3 meses da mimobox. Recomendo muito o serviço, e se ainda não o conheciam e vão ser mamãs ou já têm bebés, ou têm amigas/família que se enquadrem nalgum destes grupos, vão espreitar, experimentem e passem a palavra!

Bebé A Caminho – 22 Semanas

Gravidez 22 Semanas
Fotografia tirada às 22 semanas + 4 dias

Xina, ‘pá! Parece que não, mas já passaram quase dois meses desde que postei pela última vez sobre a minha barrigona. Houve preguiça, houve arrumos, houve toda uma reviravolta que fez com que outras prioridades se instalassem. Vá, não sou assim tão desnaturada e fui mantendo a malta aqui do burgo actualizada nas redes sociais.

Ecografia 21 Semanas
Ecografia do 2º trimestre, às 21 semanas + 3 dias.

Retomando o fio à meada, se seguem o blog no Facebook ou no Instagram, já sabem do mais importante: está tudo a correr muito bem, já fiz a ecografia do segundo trimestre a minha ervilha aparenta estar óptima e super crescida e… Sim, é mesmo uma menina! É a Teresa. Foi super fácil escolher o nome e agradou a toda a gente (que importa), mas logo falamos melhor sobre este assunto.

A ecografia em si foi emocionante. Primeiro, o médico pregou-nos um susto gigante. Começou por dizer que eram gémeos. Eu devia ter filmado a cara do L., que olhava para mim com cara de faz-alguma-coisa-que-isto-são-calúnias, super assustado. Eu também fiquei tonta, mas consegui manter o juízo e respondi logo que não podia ser, que nas ecografias anteriores estava mais que visto que só havia um bebé! E o médico lá terminou a brincadeira. Sim, é só a nossa Teresinha linda. Já se assemelha mesmo, mesmo a uma pessoa pequenina! Vejam os pés, são tão fofinhos. E a boca e a mão? Ainda está dentro da barriga da mamã e já acena e manda beijinhos. Que carismática!

Gravidez 22 Semanas
Fotografia tirada às 22 semanas + 4 dias

Hoje estou nas 22 semanas + 4 dias de gestação. A Teresinha é super irrequieta, passa o dia e (especialmente) a noite à bulha na minha barriga e já se sente tudo muito bem ao toque. Vejam bem o requinte da donzela, que até já se dá ao luxo de responder ao toque do pai e ignorar a minha interacção.

A barriga (quase) duplicou e alguns dos vestidos que tinha comprado (lembram-se do que vos tinha mostrado da Zara, florido, de mangas largas?) já a contemplar o crescimento já deixaram de servir. Apertam muuuito a barriga e o peito. Por falar em peito, li por aí em vários sítios (fontes académicas incluídas!) que as maminhas aumentavam, em média, uma copa durante a gravidez. Onde é que já vai essa copa…

No demais, é quase tudo o que já vos tinha dito: apesar do desenvolvimento da barriga e do peito, não sofri qualquer aumento de peso desde a última vez que vos actualizei (yupi, yupi!), sinto-me bem, continuo no mesmo registo de dores lombares, pernas que tendem a inchar, muita sede, sono, muitas idas ao quarto de banho e… Fome. Muita fome, fome estranha. Obviamente, resisto ao que a minha cabeça se lembra de inventar. Já fiz uma birra ao L. porque queria hamburguer, também já meditei muito em batatas fritas com M&Ms e em arroz com maionese. Se cedi a estas duas últimas invenções? Nem pensar.

Gravidez 22 Semanas
Fotografia tirada às 22 semanas + 4 dias

Sinto-me calma, mas a verdade é que o tempo passa rápido demais e suspeito que já devia estar em pânico por não ter planeado listas de nada (pertences da bebé, malas de maternidade, bens que falta adquirir, pessoas a avisar disto e daquilo), nem a decoração do quarto, nem o baby shower. A propósito, seria demasiado bizarro se eu organizasse um baby shower virtual aqui no blog?

Bebé A Caminho – 15 Semanas

Gravidez 15 Semanas
Fotografia tirada às 15 semanas + 4 dias de gestação.

Passaram mais umas semaninhas, e eu tenho mais novidades para vos contar desta aventura que tem sido a gravidez. De repente, estamos no 4º mês. Caso tenham chegado ao blog agora ou queiram relembrar como tem sido este percurso, podem fazê-lo clicando aqui.

À presente data, estou nas 15 semanas + 5 dias. Sim, fiz a eco do primeiro trimestre e houve um novo acerto (que bate mais certo com as contas iniciais). Agora, prevê-se que a ervilha nasça pelo aniversário do avô. Já ouvimos os batimentos cardíacos e, aparentemente, está tudo bem.

Ecografia 1º Trimestre 13 Semanas Gravidez Gestação
Imagem da ecografia do 1º Trimestre, às 13 semanas + 3 dias.

Vejam bem que, na bendita ecografia, foi uma algazarra. A ervilha estava muito irrequieta (eu tinha comido pouco antes!) e demorou a cooperar com o médico. Saímos da consulta a saber que, muito provavelmente, vamos ter uma ervilha menina!

Espero que na próxima ecografia o prognóstico se mantenha, porque até já temos nome escolhido e tudo. E muitas roupinhas e acessórios com detalhes de flores, lacinhos e cor-de-rosa qb.

Quanto a mim, não há nada de muito novo a destacar: não tive grandes alterações ponderais, continuo com muita sede, mas menos sonolenta e agora a fazer menos viagens ao wc. Tenho, sim, grandes oscilações de humor e dores nas costas. A minha pele e couro cabeludo estão mais secos. A barriga continua a crescer. As ancas alargaram visivelmente.

Gravidez 13 Semanas Gestação
Fotografia tirada às 13 semanas + 3 dias de gestação.

Comprar roupa tem sido uma odisseia necessária: as minhas blusas e camisolas ficam quase todas a meio da barriga e, como bem sabem, adoro vestidos cintados e agora é impossível vesti-los. Assim, esta tem sido uma época de saldos muito bem aproveitada. Tenho investido a pensar no tempo quente que se avizinha, mas posso garantir que não comprei roupa de grávida. Depois mostro-vos, mas consiste tudo em peças que poderei continuar a vestir depois do nascimento da ervilha (já agora, o vestido preto é da Springfield e o florido é da Zara. No total, não gastei mais de 25€ com eles).

O tamanho da roupa não ainda não mudou. Por segurança, há peças que compro no tamanho acima, que não fica mal e sempre deixa espaço para o crescimento da barriga. Se for necessário, rapidamente as reduzo um pouco futuramente. O tamanho do calçado, para já, também se mantém. E olhem que eu não me importava de ter pés um nadinha maiores permanentemente…

Gravidez 15 Semanas Gestação
Fotografia tirada às 15 semanas + 4 dias de gestação.

Entretanto, já nesta semana, pintei o cabelo. Teve de ser, que já estava pavoroso. Quanto aos cuidados que tenho tido com a pele, bom… Um dia destes sai post sobre o assunto, que obviamente há cuidados especiais e muita força e muita fé na prevenção de estrias.

Já começou a saga dos workshops pré-natais e no outro fim-de-semana aproveitámos uma iniciativa dedicada aos bebés e crianças promovida pela Well’s do Colombo, onde assistimos a uma sessão sobre a muda da fralda e ficámos a conhecer uma panóplia de produtos bons para a ervilha. Nunca é de mais conhecer informação e seleccioná-la!

Para além disso, e como estamos em época de feiras do bebé, já tenho guardado alguns produtos que vou querer utilizar porque já os conheço bem. Agora, ando a cuscar os melhores modelos de carrinhos, analisando a relação qualidade/preço. Têm alguma dica?

Gravidez Well's
Eu e o L. no workshop de muda da fralda promovido pela Halibut, na Well’s do Colombo.