Conta-me Como Foi

E é já no dia 12 de Janeiro de 2009 que estreia a 3ª temporada da série mais maravilhosa de sempre, na RTP1! Estou em pulgas, estou em pulgas!!!

Para quem não conhece, o “Conta-me Como Foi” é uma série que os nossos amigos da RTP decidiram adaptar da série espanhola “Cuéntame Cómo Pasó” e que tenta retratar a vida dos portugueses no final dos anos 60 do século XX. Novamente, para quem não conhece, esta série é divina! Posso parecer suspeita, mas as pessoas que me conhecem sabem que eu gosto destas secções da História: gosto de saber da vida das pessoas, dos costumes, das modas, dos valores e da cultura.

Vale a pena acompanhar o dia-a-dia da família Lopes, relatado pelo Carlitos (o filho mais novo) que, actualmente, terá quase 50 anos!
Dêem uma vista de olhos no artigo da Wikipedia e na página da série no site da RTP.

TRANSLATION

Tell Me How it Was

This post is about the launching of the third season of my favorite portuguese serie, “Tell Me How it Was”, which shows the story of a portuguese family in the end of 60’s/beginning of 70’s.

‘Bora Fazer Greve? Ah, Espera, Começa por G mas é Gazeta…

Espero vir a tempo de discutir o que aconteceu no passado dia 5 de Novembro, quarta-feira. Se bem se lembram, esse dia foi marcado pela suposta greve dos alunos do Ensino Secundário. Segundo as informações que me chegaram aos ouvidos, a dita greve deveu-se ao descontentamento dos estudantes em relação ao novo estatuto do aluno e ao regime de faltas (basta pesquisar no site do Ministério da Educação para descobrir as mudanças). Provavelmente, alguns de vocês vão ficar surpreendidos com a posição que tomei em relação a tal assunto: eu, que sou contestatária e gosto de lutar pelos meus direitos, não me manifestei.

É verdade que não concordo com o que se está a passar no nosso país ao nível das escolas, tanto ao nível que me afecta directamente enquanto aluna, como ao nível dos professores. Por outro lado, também sou contra as manifestações mal feitas. Digo que este foi um protesto furado porque, em primeiro lugar, os motivos da greve não foram assim tão bem divulgados quanto isso e cheguei, inclusive, a ouvir respostas inconclusivas (como “hum, pois, fazemos greve porque isto está mal!”) quando tentei esclarecer-me. Depois, houve outra coisa que me surpreendeu pela negativa: muitos dos meus colegas que disseram ser contra o novo regime de faltas nem sequer sabiam quais eram as alterações mais notáveis em relação ao regime de faltas anterior. Custou-me ver, por exemplo, na televisão, alunos que se queixavam quanto ao facto de não poderem ir, sequer, ao funeral de um familiar, quando isso não é verdade, visto que uma das excepções à contagem das faltas é o falecimento de parentes (bem como o nascimento de filhos ou irmãos, comparecimentos no tribunal ou actividades onde se esteja a representar o país). Por último, não gosto de constatar que a maior parte dos alunos fez greve simplesmente para faltar às aulas! E que muitas das pessoas que não queriam manifestar-se desta forma, apesar de mostrarem igual desagrado pelo polémico estatuto do aluno, foram “obrigadas” a ficar fora das escolas porque estas foram, em muitos casos, fechadas a cadeado.

É claro que não estou de acordo com estas medidas ridículas do nosso governo, é claro que não concordo com o facto de um atestado médico que, caso se lembrem, pode servir para que os trabalhadores fiquem de baixa médica em casa (dada a importância que tem!), não sirva de impedimento para que os alunos tenham que fazer provas de recuperação e sejam sujeitos a medidas correctivas por parte da escola assim que lá regressem quando, afinal, ficaram em casa doentes durante um período de tempo mais ou menos longo. Mas, para mim, manifestar-me contra o regime de faltas… Faltando? Desculpem, esta forma de protesto não pega comigo (e note-se que nesse dia nem sequer tive aulas, visto que às quartas-feiras nunca tenho aulas).

Teria custado muito se os alunos se tivessem juntado aos professores na manifestação do passado sábado? Juntamente com os encarregados de educação? Acreditem que tal atitude teria feito um impacto muito maior junto daqueles que nos governam! Mas custa muito levantar o rabo da cama ao sábado, quando ainda por cima nem sequer há aulas…

Meta Vaselina![:en]Use Vaseline

Lips 2 por Fatima Camiloza

Como o Inverno já bate à porta e nesta altura é muito importante ter cuidado com a hidratação da pele (e não só), falemos da vaselina! Novamente, e porque a crise mete as carteiras de toda a gente a fazer dieta, esta é uma opção económica para resolver alguns problemas:

1. Passe um pouco nos lábios para que evitar a secura e a pele gretada. Para além de ser um bom hidratante, a vaselina vai também dar um brilho espectacular aos lábios.

2. Pés e mãos secos? Esfregue um pouco de vaselina de manhã e à noite e verá que em menos de nada consegue ter uma pele de seda!

3. Tem dificuldade em colocar brincos ou piercings porque a pele secou e está irritada? Basta um pouco de vaselina no local dos furos e metê-los no sítio será uma tarefa fácil e indolor!

4. Os bichinhos também têm direito à vida, e a veterinária aconselhou-me a aplicar vaselina em redor dos olhos da minha Nina (que é uma cadela caniche) para evitar as manchas escuras que se formam por causa das lágrimas típicas dos canídeos.

5. As sobrancelhas rebeldes são um mal que, decerto, afecta alguns dos leitores. Experimente passar um pouco de vaselina. Vai ver, as sobrancelhas vão ficar penteadinhas durante todo o dia!

6. Vai tirar fotos e quer um sorriso digno de revista? Ora aplique um pouco de vaselina nos dentes, com o dedo. Os lábios não vão agarrar aos dentes, que vão ter um super brilho.

7. A querida leitora é daquelas mulheres que parece que enfiaram as mãos ou os pés num balde de tinta quando pintam as unhas? Aplique vaselina nas peles em torno das unhas e o verniz não irá aderir à pele. Por outro lado, a vaselina irá hidratar e amolecer as cutículas! Espectacular, não é?

8. Leitores com eczemas: a minha dermatologista sugeriu-me o uso de vaselina nas zonas afectadas por este problema desagradável. E comigo resulta!

9. Tem dificuldade em retirar um anel dum dedo? Com um pouco de vaselina, o anel deslizará na perfeição!

10. Por último, mas não menos importante, a vaselina ajuda a que as alças de silicone dos soutiens não adiram à pele, causando irritação.

Espero ter-vos sido útil, partilhem as vossas dicas e aguardem por mais!

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Lips 2 por Fatima Camiloza

Winter is almost here and by now we must be really careful with our skin, so let’s talk about petroleum jelly! Here go some cheap options to solve you some problems:

  1. Dab a bit of it on your lips to avoid dry skin. You get moisturised and glossy lips at the same time.
  2. Dry hands and feet? Use petroleum jelly every morning and before you go to sleep and soon you will have silky skin.
  3. Are you having trouble wearing your earrings or piercings because your skin got dry and swollen? Just dab a bit of petroleum jelly on the holes.
  4. Animals also have the right to be pretty, healthy and comfortable, and the vet told me to dab some vaseline around my dog’s eyes to avoid dark stains (she’s a poodle).
  5. Rebel eyebrows suck. Try brushing them with vaseline, they will keep in place for the entire day
  6. You are taking pictures and want a perfect smile? dab a bit of petroleum jelly on your teeth, with your finger. Your lips will not stick to the teeth and they will look super bright.
  7. Dab a bit of it around your nails when you are doing the manicure to avoid nail polish all over your fingers! Vaseline will also moisturise the cuticles, wonderful, no?
  8. If you have eczema on your body, use petrolleum jelly on the affected areas. It works!
  9. If you are having trouble taking a ring out of your finger, yep, try vaseline.
  10. At last, it helps silicone bra straps not to irritate your skin.

I hope these tricks were useful, share yours and wait for more!

 

Três Simples Passos II

Falemos de uma rotina que deve ser criada desde cedo. Este artigo é destinado, no mínimo, às pessoas que, como eu, têm pele sensível e com tendência para o aparecimento de acne, se bem que @s restantes leitor@s também podem experimentar este ritual.

Esta é uma das situações onde menos é mais, em todos os sentidos: com menos de 5€, obtemos produtos super simples e de óptima qualidade, como confirmam as pessoas de há umas gerações atrás. Não gosto nem posso gastar muito dinheiro com produtos cosméticos, e portanto tento sempre ter em conta a relação qualidade/preço. Falemos da minha escolha:

1. Está mais que provado que o sabão azul e branco é um dos melhores desinfectantes que podemos encontrar no mundo dos produtos de higiene, prevenindo a proliferação de bactérias que provocam o aparecimento do acne. Por outro lado, acaba por sair ao preço da chuva mijona, visto que uma barra de 400g não chega nem a 1€ e dura eternidades (e não, não é por isso que o sabão azul e branco é frequentemente encontrado em lavabos públicos! Insistindo, este sabão não só não é rasca como é melhor que muitos sabonetes desinfectantes, incluindo aqueles que estão à venda nas farmácias!). Podem existir pessoas que não gostam do aspecto nem do cheiro deste espécime, eu não me queixo! O sabão azul e branco tem um aspecto agradável e o cheiro recorda-me os tempos que passava em casa da minha avó;

2. Não há melhor tónico que a água de rosas! Desde pequena que incutiram em mim o hábito de limpar os olhinhos com água de rosas, e a verdade é que continuo a fazê-lo (para quem tem cães, principalmente raças como os caniches, a água de rosas não é agressiva para a limpeza dos olhos!) todos os dias e estendi o seu uso a toda a cara. Cá está, este é outro produto baratíssimo e que dura muito tempo. Ah, e para as pessoas que não acharam piada ao item anterior (sim, o sabão azul e branco!) por causa do cheiro, deixem-me referir que depois da água de rosas não fica vestígio algum do cheiro do sabão;

3. Não é por acaso que a Nally continua a fabricar o creme Benamôr: se este creme não fosse bom e se tantas pessoas ao longo de várias gerações não tivessem boas críticas a fazer, ele já não existiria. É bastante importante hidratar a pele, até porque nos dias que correm a poluição é mais que muita e quanto mais pudermos proteger a nossa pele do contacto com as substâncias nocivas que pairam no ar, melhor! Este creme é um dos poucos que não deixa a minha pele empastada, e ainda tem a vantagem de cobrir ligeiramente imperfeições como pequenos vermelhões e pontos negros e dá uma ajudinha na fixação da maquilhagem, para que aguente impecável por mais tempo. Juntem-lhe o cheirinho único e a embalagem perfeita com o requinte dos tempos antigos, e garanto-vos que nunca mais pensam em usar outro creme!


Vamos pensar em fazer uma (grande) poupança? Têm outros hábitos como este, à base de produtos do tempo dos avós? Partilhem-nos!

Massa com Atum

Não desatem já a mandar tomates e ovos podres! Eu sei, para alguns de vós a ideia que sugiro no título pode parecer impraticável. Não vão saber se é impraticável se não a praticarem, e é muito imprudente falarmos daquilo que não conhecemos!
Deixo um pré-aviso para os vegetarianos/vegans (sim, eu sei que vocês me lêem, vocês adoram-me!): não fujam, podem perfeitamente substituir o atum por seitan que o petisco vai continuar a ser óptimo! A receita que aqui vou dar serve para 2 ou 3 pessoas.

Ingredientes:

– 1 lata de atum (ou o equivalente em seitan)
– 1 lata grande de cogumelos
– 1 pacote pequeno de natas
– Esparguete ou Fetuccine para 2 ou 3 pessoas
– Molho Inglês
Ketchup
– Orégãos
– Cebola
– Alho
– Azeite
– Sal (pouquinho, porque o atum e os cogumelos já são salgaditos!)

***

Ora bem, postas todas estas coisas na bancada da cozinha (eu sou pragmática, ponho tudo na bancada e arrumo à medida que vou utilizando), põe-se a água da massa ao lume e numa caçarola ou frigideira faz-se o refogado com o alho, a cebola e o azeite. Quando estes alourarem, colocamos o atum (ou o seitan!) e os cogumelos na caçarola. A massa é fácil de aviar e todos vocês sabem como funciona o processo, esqueçamo-la então! Quando os cogumelos e o atum tiverem um aspecto decente, e por decente entenda-se comestível, pode-se juntar as natas, os orégãos, o molho inglês e o ketchup (é favor ter cuidado com os três últimos! Estas coisas são colocadas ao gosto do freguês, mas não convém abusar porque senão a paparoca fica intragável!). Deixa-se apurar, escorre-se a massa e junta-se o conteúdo dos dois recipientes (da panela e da frigideira!). Mistura-se tudo muito bem e… Está pronto!

Espero que esta ideia sirva para alterar as ementas rotineiras que muitos de nós temos em casa, se bem que não convém abusar deste tipo de refeições dada a quantidade de “porcarias” como o ketchup e as natas que levam!

 

Bom apetite

Actualização a 16.Junho.2009 – Cá está a foto do petisco! Não tem o melhor aspecto, não é arrumadinho nem bonito nem colorido mas é muito saboroso. Desta vez não levou molho inglês nem ketchup.
TRANSLATION
Tuna Fish Pasta

Actually, don’t start throwing tomatoes and rotten eggs at me! I know the title sounds odd for some of you, but you won’t find out if it really is or if it’s just you not being open minded enough to give new things a try.

So, you can still do this if you’re vegetarian/vegan: just try using quorn or seitan, or whatever, instead of tuna fish. This recipe will still be great! This would give a meal for 2 or 3 people.

Ingredients:

– 1 can of tuna fish
– 1 big can of mushrooms
– 1 small cream carton
– Spaghetti or fetuccine for 2 or 3 people
– English sauce
– Ketchup
– Oregons
– Onion
– Garlic
– Olive oil
– Salt (not too much, the tuna and the mushrooms are already salty!)

***

Now, let’s put all this stuff on the kitchen table (I prefer things this way, it’s easier, when I’m done I store everything again). At this point you should have figured out I’m portuguese and I have to struggle a lot with myself and Google to get the translation of some words or concepts. Don’t expect to read good english here, though I try my best to write “readable” texts. Boil some water for the pasta and use a frying pan to saute the garlic and the onion. Then, cook the tuna fish and the mushrooms and add the cream, oregons, english sauce and ketchup (don’t get too excited doing this or you’ll get a disgusting dish). Mix everything it’s done!

I hope this idea allows you to find new tastes and get some variations in your food routines. This is a quick meal, so don’t this too much and too often. Ketchup and cream would make you look like a baloon.

Desabafo

Quem não ouviu Doors durante a infância foi uma criança muito infeliz…

É verdade. Para os mais velhos, pode parecer impossível. Para os mais novos (como eu), continua a parecer impossível! Pensava eu, na minha humilde insignificância, que The Doors era só uma das bandas mais famosas de sempre. Para mim, eles são míticos, icónicos, grandiosos! Para os demais… Começo a acreditar que são uns extraterrestres.
Há uns dias, descobri um rapaz (que eu julgava ser minimamente culto) que nunca tinha ouvido falar no Jim Morrison e que nunca tinha ouvido nada desta grande banda. Naquele momento, o mundo desabou à minha frente: como é possível existir alguém na nossa sociedade que não conhece a Light My Fire, por exemplo? E a conversa não ficou por ali, porque (obviamente) divulguei tal heresia a alguns dos meus amigos. Qual não é o meu espanto quando alguns deles perguntam “mas, afinal, quem são os Doors?”.

Amigos, o mundo está perdido. Conhecem a Britney e tudo o que está metido na mesma caixa, mas não conhecem The Doors? Jim Morrison, Jimmyzinho, caso estejas a ler este blogue desde o Além… Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, não deixes que te “matem” e que te façam dar voltas no caixão!

Façam o favor de ir ver o site da banda!

A todos os que acabaram de descobrir este blog, desejo uma boa noite. Para os que me conhecem, não é preciso fazer grandes dissertações acerca da minha pessoa. Para os restantes: eu sou a Guida e eu é que sei!

É verdade, toda a gente sabe (e se não sabiam, sintam-se muito ignorantes!) que eu tenho 2 blogs, um deles com quatro anos e o outro que é actualizado de ano a ano com as tretas mais parvas que possam imaginar vindas de uma velhinha que não tem mais nada que fazer.

Para aqueles que estão em estado de choque porque pensam que acabaram de colidir com um alien, passo a informar que sou muito nostálgica. Portanto, e como achei que se desadequava escrever sobre as coisas jeitosas do passado que estão bem presentes na minha vida em qualquer um dos outros blogs, decidi criar estezinho em separado. No entanto, não contem só com velharias. Contem antes com coisas úteis, e com coisas inúteis!

Agora que já disse o que tinha a dizer, deixo algumas opções:

1- Feche a janela do browser e nunca mais cá volte;
2- Feche a janela do browser, mentalize-se que vai cá voltar e volte mais tarde;
3- Dê sinais de vida, participe, volte sempre!

Eu acho que não perdia nada em voltar, e olhe que eu é que sei…

Uma Boa Chávena de Chá

Tea Time by Mellie Fee

Falemos de chá. Devo confessar que a minha paixão pelo chá é uma coisa recente, dado que me recusava a bebê-lo quando era pequena. Ao que parece, eu não gostava do chá porque a minha mãe o encharcava de açúcar, e eu não sou grande amante de doces. Descobri as maravilhas do chá quando, há três ou quatro anos, um amigo me deu uma chávena de chá sem açúcar. E adorei! Na verdade, esta é a minha bebida preferida desde então, e não passo um dia sem o beber. Aliás, se estiver em casa sou capaz de beber litros e litros de chá, sem exagero, porque enquanto estiver acordada haverá sempre uma caneca de chá nas minhas mãos! O fundo do copo é sempre difícil de beber, e por isso gosto de ter a caneca sempre cheia!

Tenho ouvido por aí que há pessoas que gostam do chá quando tem açúcar. Meus caros, lamento imenso, o chá com açúcar não é chá! O açúcar irá alterar os benefícios e o sabor do bom chá. No começo, o chá poderá parecer amargo. É uma questão de hábito. À medida que vamos bebendo o chá sem açúcar, aprendemos a achá-lo doce sem que tenha aditivos. Há, também, pessoas que dizem que adoram o chá, mas só bebem os cházinhos das saquetas que há nos supermercados! Pelo amor de Deus, esses chás não têm sabor, eu só os bebo em último caso! Não querendo entrar em jogos de publicidade, gosto de comprar o meu chá nos cafés Portela: compro a quantidade que quero, da variedade que quero, e sei que a qualidade é a melhor! Podem ser mais caros que os chás dos supermercados, mas têm a garantia que estão a beber um bom chá e a aproveitar ao máximo as suas propriedades. Outro aspecto a ter em conta, é a quantidade de chá que tem que ser colocada na água a ferver. O chá deve ser forte: mais vale beber um chá forte do que uma série deles que sabem a água de lavar pratos. É este o motivo pelo qual eu não gosto dos chás em saqueta. Quando colocamos o chá directamente na água, este vai ser muito melhor absorvido pela água. E falando em água, é importante referir que esta tem mesmo que estar a ferver para que possamos ter um bom chá. Os chineses foram espertos nesta matéria! Se repararem, as chávenas deles não têm asa. Tem lógica. Enquanto a chávena nos queimar as mãos, significa que o chá ainda está quente demais para beber.

Outro aspecto que gera polémica quando se fala em chá é o leite. Os nossos amigos ingleses gostam muito de misturar o chá com leite, e nós por cá continuamos a desgostar da ideia. A primeira vez que bebi chá com leite foi em casa do meu tio, porque ele percebeu que eu queria chá com leite em vez de leite, e não chá como me tinha proposto! E tive que beber uma chávena de chá de maçã e canela (mariquices!) com leite. E caiu-me tão mal… Mas hoje bebo outros chás com leite, volta e meia. Assim, e para aqueles que quiserem experimentar, creio que tenha mais lógica verter primeiro o chá e só depois o leite, para não corrermos o risco de colocar mais leite do que chá no copo, chávena, caneca, ou seja lá qual for o recipiente escolhido! Eu sou fiel às minhas canecas de 1 litro, que bebo assim que me pára nas mãos.

Por agora, penso que estes humildes conselhos que vos dei chegam para que aprendam a gostar do chá. Se tiverem mais coisas para dizer, digam! Para os interessados, deixo aqui um artigo (em inglês) que o senhor George Orwell escreveu com aquilo que ele julga serem os onze pontos essenciais para fazer um bom chá. Pergunto-me se teria opinado sobre os microondas se tivesse escrito o artigo nos dias de hoje…

Bebam bom chá!

Fazer Bebés

Como é que se faz um bebé?

Os bebés não são mais do que ervilhas especiais que ficam tão grandes, tão grandes dentro da barriga da mamã, que o médico tem que as tirar lá de dentro. As mães não têm grande voto na matéria quando tratamos deste assunto. Quem manda aqui é o pai!

O pai sabe que os catálogos da La Redoute que a mãe recebe não têm só roupa: nos últimos molhinhos de páginas, é possível descobrir um universo de coisas sem utilidade nenhuma ou com funcionalidades a mais. E é por esse motivo que, quando a mãe se distrai, o pai, como sabe onde é que ela deixa o catálogo para ver mais tarde, corre a confiscá-lo. Como não é parvo, sabe que há-de encontrar, algures, uma lata com ervilhas especiais, daquelas que servem para fazer bebés. As latas enganam bem, no caso de terem que ficar na despensa, no meio das outras latas todas. Não se pode perceber que estas ervilhas são diferentes das ervilhas normais que se compram no supermercado para fazer jardineira! E encomenda-se, então, uma lata de ervilhas de fazer bebés. É do conhecimento das pessoas que a La Redoute é francesa e que, portanto, o armazém onde estão as coisas todas do catálogo fica em França, em Paris! E é aqui que a cegonha (que toda a gente nos diz que traz os bebés) toma um papel fundamental no aparecimento dos bebés.

As cegonhas são animais capazes de voar durante dias sem se queixarem, e não consomem muito combustível, o que é importante nos dias de hoje. Senão, arriscávamo-nos a assistir a um défice de nascimentos devido ao preço do barril de crude ou às greves de camionistas! No processo de fazer bebés, a cegonha contribui com o transporte das latas de ervilhas especiais de Paris para todos os outros pontos do mundo.

Quando a encomenda do pai chega à estação dos correios locais, é emitido um aviso que vai parar à sua caixa do correio, a avisar que tem uma encomenda para levantar num prazo de três dias úteis. O pai tem que trabalhar muito para ganhar o dinheirinho que põe a comida na mesa e paga a luz, o gás e as outras coisinhas todas que há lá em casa, e sai sempre muito tarde. Como sabe que tem que ir levantar as ervilhas aos correios, que fecham às seis da tarde, o pai pede ao chefe para sair mais cedo nesse dia. E lá vai ele buscar a lata de ervilhas de fazer bebés, que custa uma pipa de massa!

E as ervilhas vão parar à despensa, à espera que a mãe não consiga chegar a horas de fazer o jantar, um dia, e para o pai meter as mãos na massa. E esse dia não tarda a chegar, quando a mãe tem que fazer relatórios feios até mais tarde e telefona ao pai a pedir para fazer o jantar. O pai não sabe cozinhar, mas vai ao Google e procura a receita da jardineira, e tenta fazer tudo certinho para que a mãe jante e goste do jantar e repita o prato. E são, finalmente, horas de jantar: a mãe chegou a casa com muita, muita fome, e está capaz de comer um cavalo! Este momento é crucial na arte de fazer um bebé. É muito importante que a mãe coma tudo, que coma as ervilhas para que uma delas se implante na sua barriga e cresça. Se a mãe não gostar de ervilhas, o pai tem que ter um poder persuasivo muito grande para a fazer comer. A mãe não tem outro remédio senão comer o que o pai fez para o jantar, porque tem muita fome. É essa a sorte do pai. Come, e o pai insiste para que ela coma mais, e diz que ela está muito magrinha, e ela come, faz caretas de enjoo e tudo, porque não gosta de ervilhas nem dos cozinhados do pai, mas come. Quando acaba de comer, já tem muitas ervilhinhas na sua barriga a competirem para ser um bebé mais tarde!

E o tempo passa e há uma ervilha que está a transformar-se num bebé, lentamente, dentro da barriga da mãe. Esta, nos primeiros tempos, pensa que está a ficar gorda e que anda a comer coisas a mais, e que tem que fazer uma dieta. Até que tenta emagrecer, mas não consegue, e descobre assim que está grávida. Algumas mães ficam muito zangadas com os pais quando descobrem que estão grávidas, porque não queriam ter bebés. Outras há que ficam tão contentes que até se esquecem que um dia tiveram que comer jardineira!

E a mãe vai inchando, inchando. A ervilha, ou o bebé, vai crescendo, crescendo, cresce tanto que quase faz a mãe rebentar! Nesta altura, a mãe sente que é altura de chamar o médico. O pai chama o médico, ou leva a mãe para o hospital. Chegou o fim da gravidez. Nesta altura, o médico traz uma tesoura de podar especial e corta a barriga da mãe, para poder sair o bebé. É por este motivo que os bebés são feios. Não é por causa da tesoura de podar, é porque nascem das ervilhas.

É este longo processo compreendido entre a leitura do catálogo da La Redoute até ao corte da barriga da mãe, quando já está muito inchada, que dá origem aos bebés todos do mundo. Afinal, o que parecia ser uma coisa complicada para todos nós, não é mais do que a história simples que acabei de vos contar!