Hoje é Sexta-feira Santa e as pessoas não podem comer carne.

Ou não devem, se acreditarem nesta história toda que roda à volta de Jesus Cristo e da cruz e dos apóstolos e as coisas todas que daí derivam e sequer pagaram a bula.

É o que reza a História. Confesso que, apesar de ter ido à missa todos os domingos durante mais de 10 anos, de ser crismada, de concordar com uma série de coisas e de valores que aprendi na igreja (não é preciso ir à igreja para adquirir certas capacidades que temos que ter para viver em sociedade!), sou agnóstica.

Na minha opinião, acho que não se adequa tentarmos incutir ideologias que requerem uma certa maturidade para que haja reflexão a crianças. Assim, por volta dos 15 ou 16 anos, deixei de acreditar e de apoiar muito do que tinha aprendido, passei a questionar o que me rodeia, o que teve um ênfase ainda maior quando comecei a perceber as patranhas dos pontífices da Igreja.

Sobre este assunto, ainda tenho que acrescentar o facto de parte dos católicos que conheço serem uma fraude. Não quero ofender ninguém: são uma fraude na medida em que vão à missa uma vez numa década, rezam quando estão em apuros e sem sentimento e muitos são pessoas pouco humildes.

Assim, conheço pessoas muito mais “católicas” que estas, sem que sigam esta religião, ou mesmo que afirmem que não têm religião. Ser humano fica bem a toda a gente e, tenham vergonha, uma coisa que aprendi na igreja é que devemos dar sem esperar receber, e muitos dos católicos que conheço não aprenderam esta lição.

E é no meio disto e de outras discussões sobre este assunto que dá pano para mangas que acontece aquilo a que chamo o dilema da Sexta-feira Santa.

Não acredito na história do católico praticante ou não praticante: ou somos católicos, ou não somos. E se somos, cumprimos certos hábitos desta religião (e o mesmo se passa com qualquer outra religião!), para além de sermos pessoas boas e pensarmos nos outros, como toda a gente deve fazer.

Cá em casa, os meus pais afirmam que são católicos, bem como os meus tios e primos e por aí fora. Acontece que há anos que não os vejo pôr os pés numa igreja nem dar o devido valor ao Natal e outras datas marcantes do catolicismo.

Ainda assim, o meu pai diz que hoje não se pode comer carne cá em casa! Mas obriga-me a comer peixe. E eu contra-argumento:

1. O meu pai come peixe porque é bonito comer peixe neste dia e não atribui nenhum significado. Quando lhe perguntei por que é que se come peixe na Sexta-feira Santa, ele não me soube dar uma razão válida. Ora, cheira-me que se queria ser mais papista que o Papa, devia saber que a Quaresma é uma época de sacrifício pelos motivos que toda a gente sabe e a tradição seria fazer um jejum de toda a carne pelo menos durante a Semana Santa. Mas não sejamos tão extremistas, pelos vistos a maior parte das pessoas opta mesmo pelo suposto jejum só hoje.

2. Ainda assim, peixe é carne. É animal, é carne! É carne branca, bem sei, mas assim o peixe é tão carne como qualquer frango, com a diferença que são animais completamente diferentes! Se querem tanto fazer jejum à carne, hoje as mesas deviam ter comida vegetariana!

Junto ainda o facto de eu detestar peixe. Detesto a Sexta-Feira Santa!

6 comments on “O Dilema da Sexta-Feira Santa”

  1. Muito bem pensado Joaninha. E há outra coisa, segundo o que me disseram, se se pagar uma coisa qualquer la na igreja ja podes comer carne -.-

    Isto cabe na cabeça de quem?Em troca de dinheiro ja podes comer um bife ou um franguinho…

    Sábado, Abril 11, 2009 12:23:00 AM

  2. Joana, subscrevo tudo tudo tudo o que disseste sobre a Igreja Católica. Felizmente, cá em casa, ninguém diz que é e ninguém é. Os meus avós é que apanharam um desgosto.. Mas pronto! Visto que já têm 80 anos e são saudaveis, posso dizer que vivem muito bem com isso 🙂

    Domingo, Abril 12, 2009 9:52:00 PM

  3. É impressionante, a maneira como, às vezes, me identifico com o que dizes! Realmente, de que serve alguém dizer que é católico praticante, fazer-se de bonzinho, se depois lá fora só faz porcaria?

    Quanto à catequese, acho bem que se comece de pequenino a aprender, mas acho que não é preciso 10 anos para isso!

    Eu sou católica, acredito, pratico, mas há certas coisas que não acho que sejam relevantes para me determinar uma boa ou má cristã. Por isso mesmo, não ligo se como carne ou peixe neste dia (até porque, como tu dizes, peixe também é carne, e eu detesto peixe :D)

    Sexta-feira, Abril 10, 2009 11:57:00 PM

  4. Olá Joana
    Gosto de ler o que escreves, tens uma irreverência saudável, pq sincera, própria da tua idade!… Tb já fiz todas essas perguntas e cheguei à mesma conclusão que tu: não fazem sentido! Todos estes rituais das Igrejas (sejam elas quais forem) partem do princípio que tens que "venerar um Deus exterior a ti, que te impõe regras".
    Quando descobrires que fazes parte Desse Deus, que Tu és Divina e que a única regra é o Amor por tudo o que te rodeia, verás que esses rituais fazem ainda menos sentido.
    Contudo respeito-os, como o direito que cada um tem de estar como quer.
    Durante muito tempo fomos programados para acreditar que há um "DEus" que premeia e castiga, e alguém que o representa. Isso deu um poder imenso às Igrejas e a nós pessoas vulgares, tirou-nos a OBRIGAÇÃO de nos tratarmos como Divinos que somos.
    Que longa conversa isto daria!…
    Bjs, querida e continua a questionar o que para ti não faz sentido, mantendo sempre a mente e o caração abertos.

    Terça-feira, Abril 14, 2009 8:10:00 PM

  5. sabes que concordo com tudo o que dizes?

    ps: descobri o teu blog agora e posso te garantir que irei comentar mtas vezes, adorei o

    Quarta-feira, Abril 15, 2009 12:37:00 AM

Deixar uma resposta