Hoje venho falar-vos de um assunto que já tem dado pano para muitas mangas, ou babetes, e que tem enchido os ouvidos das pessoas que me conhecem.

De há uns tempos para cá, verifico que toda a gente passou a usar aquilo a que vulgarmente chamamos lenços à Arafat desmesuradamente, sem qualquer preocupação alguma sobre a forma como o colocam ou se se adequa ao tipo de roupa que trazem vestida. Não quero parecer snob com o que vou comentar neste post. Acontece que estou farta de ver tanta poluição visual. Sim, eu gostava (e continuo a gostar!) de ver os ditos arafats (ou keffiehs) nos senhores palestinianos (política de lado, quando se pensa em Palestina pensa-se em senhores com keffiehs!) e aplicados ao vestuário do resto da população mundial… Quando são devidamente utilizados!

Caros leitores, sobre o uso dos arafats e semelhantes lencinhos mal utilizados (na minha humilde opinião!) tenho a dizer que:

1. Usar um arafat sem saber a história do mesmo só mostra (muita) ignorância por parte de quem o usa. É verdade, estes lenços começaram por ser usados pelos beduínos para que pudessem ser identificados como elementos da mesma comunidade, e era extremamente útil porque os protegia das tempestades de areia, típicas do deserto, e de outros fenómenos meteorológicos. Nos dias que correm, os keffiehs são símbolos nacionalistas da Palestina.

2. A sério, se o item acima não vos faz mudar de opinião, pelo amor de Deus, (e penso que esta parte é mais importante para as meninas ou mulheres) digam-me onde é que fica o encanto de um vestido, por exemplo, com o lencinho à volta do pescoço a estragar a “paisagem”. Sim, a moda somos nós que a fazemos, mas os arafats com vestuário feminino não me entram pelos olhos dentro. Desculpem!

3. Por último, e não menos importante, não há coisa pior do que ver os lencinhos mal-enjorcados à volta do pescoço. Se ninguém disse isto antes, digo eu: esses lenços xadrez que as pessoas, principalmente os jovens, gostam tanto, parecem umas toalhas de piquenique ou babetes! Provavelmente, a nossa sociedade está a tornar-se tão activa que, para perder ainda menos tempo com mariquices, principalmente à hora da refeição, anda de babete a tempo inteiro!

SOCORRO, tirem-me deste filme e ponham-me num desenho animado, porque os meus olhos não suportam tamanha desgraça! É como acordar e ver o mundo de pernas para o ar!
P.S. – Com este post, não pretendo, de forma alguma, ofender ninguém com crenças e opiniões diferentes da minha! Pelo contrário, gosto do debate e se têm algo diferente do que aqui escrevi para dizer, o botão dos comentários fica mesmo aqui por baixo!

[:en]

For a while now, I have been watching everybody wearing what we usually call Arafat scarves without even bothering how they wear them and if they match with the clothes they wear. I do not want to sound snob with what I am going to say on this post. Happens I am tired of all this sight pollution. Yes, I loved (and I still enjoy!) to see those keffiehs being worn by old palestinian men (politics appart, when you think of Palestine you think about men wearing keffiehs!).

Dear readers, I must say this about the use of keffiehs and similar scarves you insist on wearing:

  1. Wearing a keffieh without knowing its history only shows your ignorance. The truth is these scarves started being used by beduines so that they could be identified as members of the same comunity, and it was extremely useful because this way they got protected from sandstorms and other weather conditions. Nowadays, keffiehs are nationalist symbols of Palestine.
  2. Really, if the first point did not change your opinion, for God’s sake (and I think this is the most important part for little and not so little ladies), tell me where is the charm of a dress, for example, with that scarf around your neck spoiling the entire picture. Yes, fashion is made by us, but keffiehs with feminine clothes are something I do not really like. I am sorry!
  3. At last, but not least, did anyone tell you keffiehs look like picnic towells? I understand the theory, our society is so active that we now wear keffiehs to replace napkins when we have a meal.

Somebody please HELP ME, take me out of this movie and put me in some cartoons, because my eyes cannot stand such a crime! It is like waking up and seeing the world upside down!

 P.S. – With this post I do not want, in any way, to offend any of you who has different beliefs and opinions than mine!

3 comments on “O Complexo do Arafat[:en]The Arafat Complex”

  1. Eu tenho um arafat, uso porque gosto dele, gosto do padrão (padrão toalha de piquenique, sim), não uso pelo significado que tem. É quentinho =D. Mas verdade seja dita que gostava mais de o usar quando ainda era raro ver alguém com um, agora é raro haver pessoa sem um.

    Beijinho.

    Segunda-feira, Novembro 17, 2008 10:47:00 PM

  2. Olá Charlie,

    Faço parte do leque de pessoas que não usa Keffieh. Mas aqui em Paris tenho visto imensos, por todo o lado. Uma moda, como muitas outras, que tem um significado historico que muitos parecem não querer saber.

    Enfim, cada um faz como quiser, mas eu "tô fora" 🙂

    Beijo meu ♥,

    A Elite

    Domingo, Novembro 23, 2008 5:51:00 PM

  3. eu acho este post muito bom. acho bom conhecer a história por detrás daquilo que usamos, muitas vezes nem pensamos no que está envolvido quando envergamos uma determinada peça. por vezes, são peças milenares mesmo, outras, estão envoltas em crenças ou posições políticas.
    nesse aspecto, o post está muito bem feito.

    devo dizer que acho essa moda gira mas nos homens. pessoalmente não gosto nas raparigas precisamente por ser super usado, juntamente com outros acessórios, sempre o mesmo padrão … cada um usa o que quer! não tenho nada com isso e acho que as pessoas devem ter a coragem de se vestir como se sentem bem. simplesmente é muito mais raro ver os homens de arafat e por isso acho que lhes fica melhor.

    pessoalmente, apenas tenho um arafat mas nem o uso. primeiro, pq é um pedaço de tecido quadrado e eu não sei colocar bem, mais vale não colocar. segundo, gosto pq ligo bastante ao lado histórico das coisas e numa perspectiva coleccionista (mas atenta), acho giro ter um.

    [acho que não tem mal nenhum comentar num post com bem mais de um ano].

    Quinta-feira, Abril 08, 2010 3:55:00 AM

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