Se não tens nada melhor para dizer, está calada.

Foi o que me passou pela cabeça nos últimos dias e me levou a mal dar sinais de vida online. Ninguém nos diz qual é a forma ideal de lidar com más notícias, especialmente quando surgem todos os dias, sistematicamente, cada vez que ligamos a televisão. Crimes muito graves todos os dias. Cenários dantescos aqui perto. Quando é perto, parece que é como se fosse connosco.

Bom, se fosse só quando ligamos a televisão, ainda dava para moderar certos impactos. Actualmente, até em redes sociais alegadamente inofensivas ficamos a saber tudo o que se passa no mundo em segundos. Se for mau, então, faz furor e sai que nem pães quentes. 

Olhos que não vêem, coração que não sente?

Bem sei que a vida segue para os que cá ficam e que eventualmente os dias melhores e as tolices em directo nos fazem esquecer o mal do mundo, mas não deviam.

Sabem o que me fez maior impressão, há duas semanas, quando se deu aquela catástrofe que afectou os nossos? Haver quem não tivesse um pingo de bom senso e encharcasse as redes sociais de fotos de bonitas vidas de férias, sol e praia. Haver quem atirasse culpas para todos os lados sem sequer mexer um dedo para ajudar.

O luto é forçado e faz-nos pensar que temos de ser melhores, mais condescendentes, mais tolerantes, mais solidários, menos ruins. Menos egoístas, menos lamurientos, menos rancorosos. Mais felizes.

Temos de aprender a apreciar melhor o que a vida nos traz de bom.

Porque essa história de Deus e da fé é muito bonita mas não é um seguro ou atestado e a qualquer momento podemos ser nós a estar no meio de uma má situação que nada fizemos por merecer e sequer serve de algo apelar a justiças divinas, porque não existem.

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