Categoria: Opiniões

Ser rei de coisa nenhuma

castelo

Há uns dias, enquanto via o noticiário à hora de almoço, julguei que estava a assistir a alguma peça humorística. Pensei, por momentos, que poderia ter entendido tudo ao contrário. Rebobinei. Fui, de imediato, ao Google e caí em mim. Era mesmo verdade!

O deputado José Manuel Coelho, do PTP, que só faz macacadas em assembleia na Madeira, foi pedir asilo ao Principado da Pontinha.

Há tanto por onde pegar nesta notícia que a minha cabeça deu tilt. Histórias tontas dentro da política, bom, ouvimo-las diariamente aos montes. Haver um Principado no arquipélago da Madeira? É toda uma novidade!

A história remonta a 2007, quando o autoproclamado Príncipe D. Renato de Barros II adquiriu aos ingleses (consta que não era nem do interesse deles nem de Portugal – vá-se lá entender quem havia de querer um calhau a 70m da praia!) o ilhéu onde se situa o Forte de São José. Este território terá sido vendido em hasta pública em 1903, deixando de pertencer aos portugueses. Para quem quiser saber da história como deve ser, há o documentário Um Sonho Soberano que tem tudo bem explicado. A título de curiosidade, recomendo a visualização!

A compra deste terreno onde se inclui o dito forte já é, na minha opinião, megalómana. Com o dinheiro nele investido, eu teria milhentos outros projectos – rentáveis, alguns deles – para realizar. Claro que as mentes brilhantes poderiam ter congeminado algum plano genial para fazer com que esta compra valesse a pena. Bem sabemos como a Madeira prospera à conta do turismo, pelo que decerto surgiria algum projecto bom relacionado com a hotelaria ou restauração. Como o proprietário é mais criativo e ambicioso, decidiu proclamar a independência e criar uma micronação.

É assim que surge o Principado do Ilhéu da Pontinha.

Imaginam um país que não terá área superior à de uma pequena casa? O Príncipe (e alguns apoiantes, incluindo o senhor deputado José Manuel Coelho, a quem a situação seria conveniente) dizem que está tudo dentro dos trâmites legais e que, sim senhores, o Principado é independente de Portugal. Os meios oficiais, porém, parecem não o reconhecer. Em que ficamos afinal?

Da mesma forma que esta história me parece uma anedota, aplaudo o Príncipe D. Renato pela sua criatividade e ambição e, olhem, também eu gostaria imenso de ter um país só meu para ser o que quiser e fazer o que me der na veneta. Parece um sonho que se torna real!

E é mesmo aí que se encontra o cerne da questão: as ideias (viáveis ou não, dava outra discussão) ficam-se pelo papel e só não se acabou a brincadeira porque o nosso governo ainda não teve para se aborrecer (porque há sempre outras questões mais importantes por resolver). O governo regional da Madeira recusou-se a fornecer energia eléctrica ao forte se o Sr Renato não lhe vender o Ilhéu. O Príncipe, numa manobra que tanto tem de tonta como de atrevida (a propósito do asilo do deputado do PTP), promete que quem invadir o Ilhéu sofrerá consequências. De quem? Dos zero habitantes da sua micronação?

A brincar se dizem as verdades. Este episódio lembra-me algo que acontece tantas e tantas vezes (ah, as tais questões de importância para o governo do nosso país!): somos donos de um terreno ou imóvel. Se for da conveniência do Estado, não se preocupem, que mesmo que não queiramos vender, trata-se de arranjar uma maneira de nos tirarem das mãos aquilo que é aparentemente nosso.

Não é preciso procurar mais longe do que nos mesmos noticiários que passaram esta peça que mais parece saída de uma comédia, pois também nos dão conhecimento de, por exemplo, demolições de bairros inteiros, alegadamente ilegais, onde há famílias que pagam os devidos impostos (IMIs e o diabo a sete) há décadas. Afinal, ser rei, dono ou senhor do que quer que seja é só uma mera ilusão.

Talvez o louco não seja o Príncipe.

Quem não tem quando pode, não vai poder quando quiser.

família

Dei por mim a escrever, rescrever e riscar este texto muitas vezes. Porque é pessoal e porque é delicado. Apesar de não ter nada de mal e de ser algo em que penso muitas vezes, todos os dias, várias vezes, é a minha opinião sobre um assunto importante e que me é muito querido porque tem tudo a ver com a fase em que me encontro na vida: a parentalidade/maternidade.

A verdade é que cheguei à conclusão que, não sendo nenhum crime (muito pelo contrário!), partilhar o que tenho a dizer até pode ser útil e ajudar quem esteja a passar pelo que me aconteceu, de certa forma. Afinal, é para isto que serve um blog, não é? É isto que faço sempre: partilho conteúdos com os quais me identifico de uma forma ou de outra. Senti que era bom partilhar um bocadinho desta questão que é tão pessoal.

O melhor que aconteceu na minha vida foi o nascimento da minha filha Teresa. Tenho a certeza que a maior parte de vós que me lê neste momento e tem descendência irá concordar que ter filhos é a melhor coisa do mundo. Compreendo, porém, que haja quem pense de forma diferente e respeito muito as decisões dos outros. Só assim é que posso pedir que compreendam e respeitem as minhas.

Acredito que tenham uma ideia, no geral, da minha história, mas cá vai uma partilha que pode ajudar a compreender o rumo inesperado (mas bom) que a minha vida tomou. Porque há fofocas e mimimis. Porque é desconfortável enfrentar juízos alheios quando não os pedimos. Porque devemos partir do pressuposto que uma pessoa adulta assume a responsabilidade dos seus actos e sabe o que é melhor para si e para os seus.

Porque não temos de ser todos carreiristas nem viver sob o domínio de trabalhos e dinheiros, na angústia de pensar que o futuro nos trará as condições que queremos dar aos nossos filhos. Porque é muito feio ouvir os “oh, tão nova?” que as pessoas que não conheço de lado nenhum e que, face à minha intervenção, respondem que não me dariam mais que 16 anos. Mesmo que só tivesse 16 anos, ou que tivesse 50 anos, cada um sabe o que é melhor para si e para os seus e se, ainda por cima, os estranhos não estão sequer na disposição se está tudo bem ou como podem ajudar, mais vale não dar nenhum palpite.

Acima de tudo, se há sempre histórias más e desfechos maus, quero passar um testemunho de que também se constroem finais felizes mesmo quando, no início da jornada, o futuro parece negro e complicado. Acima de tudo, devemos fazer o que nos parece melhor para ficarmos de consciência tranquila e manter a nossa integridade. Nossa. O que os outros dizem não deve ser o nosso foco e não podem ser eles a decidir o que fazer da nossa vida.

A minha gravidez não foi planeada. É irónico, no mínimo. Como é que, em pleno século XXI, com métodos contraceptivos (quase) infalíveis, uma estudante de enfermagem no fim da licenciatura se mete numa embrulhada destas? Não foi por desinformação. Não foi por descuido.

Apercebi-me muito cedo. Senti-me diferente e quis logo saber o que estava a acontecer no meu corpo. Confirmou-se: pelas contas, estaria grávida de 5 semanas. Apesar de estar num relacionamento recente, decidimos que queríamos muito um futuro em comum e com filhos. A Teresa não foi planeada mas foi muito desejada por nós, desde sempre.

família

Inicialmente, houve muita pressão e muitas decisões difíceis para tomar. É nestas alturas que conhecemos devidamente a nossa família e os nossos amigos. Acreditem: virão forças de onde não imaginavam, mas também vão descobrir que muitas pessoas que, até aqui, pareciam próximas irão desaparecer. Deixem-nas ir, porque não precisam delas. Foquem-se em vós, repito. É nestas alturas que é mais importante olharmos para nós e não dispersar.

Se há clichés pessimistas (e se passam/passaram por algo semelhante, têm conhecimento de muitos destes), deixem-me destacar um cliché muito positivo e optimista: as condições criam-se. Isto aplica-se a qualquer decisão que tomem e é mesmo verdade. Podem crer que quando queremos muito algo, é meio caminho andado para que o objectivo seja cumprido. E nós estávamos decididos a ser bem sucedidos na missão de trazer a Teresa ao mundo.

Não foi nada fácil, mas pegámos no que a vida nos deu e lutámos pelo que é nosso. Imaginem: um casal jovem sem poupanças e a ter de construir tudo do zero numa questão de meses. Se conseguíamos dar conta de tudo sozinhos, os dois? Não sei. Tivemos muita ajuda, é um facto. Tivemos muita sorte e considero que foi uma bênção ter quem se preocupasse connosco e pudesse dar a mão. Mas também temos muito mérito pela nossa determinação, empenho e trabalho. Faço aqui um aparte para as mães solteiras deste mundo: vocês valem por mil mulheres numa só! Sozinha, então, eu não conseguiria dar conta do recado.

Um ano depois do início desta aventura, ainda há arestas para limar (quem não as tem em início de vida de adulto?), mas posso dizer-vos que cumprimos os nossos objectivos. Conseguimos! Temos a nossa família linda, temos a nossa casa, temos as nossas coisas, estamos organizados, somos autónomos e felizes. Temos muito mais do que muita gente que se massacra a matutar no tal futuro melhor e propício à família. Eu não me imagino mais feliz do que sou agora!

Tenho cá para mim que a Natureza se encarrega de equilibrar tudo à sua maneira. A taxa de natalidade estava a descer a pique nos últimos anos e, de repente, há bebés em todo o lado. Sem dúvida, ter um filho é uma decisão muito importante e de muita responsabilidade. Não condeno quem não os quer ter e dá prioridade a outras decisões, mas nesta questão da maternidade eu considero que não sou eu quem deve decidir sobre outra vida que não a minha. Felizmente, não fiquei sozinha.

Tudo acontece por um motivo. Para mim, ter filhos é uma bênção e, sem dúvida, um grande marco na realização pessoal. Se era agora o momento ideal? Se há coisas que gostava de ter feito e não fiz? Ser mãe não faz com que outros objectivos caiam por terra e, como referi antes, as condições são algo que se cria e as oportunidades são para agarrar quando surgem.

Quem não quer quando pode, não vai poder quando quiser. Pensem em quantas pessoas adiam o sonho da maternidade, pelos mais variados motivos. Pensem nas pessoas (muitas delas até podem estar dentro dos nossos círculos de amigos) que tentam ter filhos e não conseguem. Pesquisem sobre as estatísticas relacionadas com a reprodução e vejam para onde caminhamos com tantas preocupações. Temos filhos cada vez mais tarde e, muitas vezes, já nem os conseguimos fazer como antigamente. Vejam os números relativos às consultas de reprodução assistida em hospitais e clínicas privadas.

Deste lado, optámos por ser muito felizes com a sorte que nos calhou. Como devem calcular, o último ano foi uma (boa) montanha russa e é por causa de tudo o que há de novo que tenho estado ausente. Optámos por mudar um bocadinho os nossos caminhos, as nossas vidas deram uma volta de 180º, mas eu não poderia estar mais realizada. Ser mãe é mesmo, mesmo a melhor coisa do mundo!

O que veste uma mãe?

roupeiro vintage

Nunca tinha pensado muito nas diferenças de guarda roupa que podem (ou não) existir antes e depois da maternidade. Não sei se é um fenómeno que pode ter a ver com idades, com o próprio facto de ser mãe ou com as modificações corporais inerentes à gravidez e pós-parto.

Não posso queixar-me, é certo. Nunca tive, sequer, preconceitos. Passado um mês do nascimento da Teresa, acabei por dar pouco uso aos fatos de banho que levei na bagagem de férias e troquei-os pelos biquinis minúsculos do costume. Com vestígios de barriga a badalar, mas sem um pingo de vergonha. Para quê? Afinal, queria aproveitar o (pouco) sol a que tinha direito.

Voltando ao tópico de discussão, o que é que veste uma mãe?

Dou por mim a pegar nalgumas peças de roupa do meu roupeiro e a ponderar se é adequado vesti-las agora que sou mãe. Por quê? Por que não? Não é um trapo que determina a minha qualidade enquanto progenitora nem compromete a minha autoridade, o que haveria de mudar?

A minha prioridade tem sido o conforto, o que muitas vezes anda de mãos dadas com o estereótipo da jovialidade, que pouco condiz com o conceito de mãe estipulado pela nossa sociedade. Uma das coisas que me aborrece (e reconheço que o que visto, por vezes, pode não ajudar) é quando pessoas que mal conheço formulam juízos em tom depreciativo: “já mãe? Tão novinha?”. Quando lhes digo que idade tenho, meia sem jeito, invariavelmente respondem que pareço muito mais nova, nunca diriam pelo aspecto físico e pela roupa.

Por que haveriam as mães de mudar a maneira de vestir se quem está mal não são elas?

E vocês, mães que me lêem: mudaram a vossa forma de vestir?

A Importância da Correcção

Agora que começo a ter mais tempo para me dedicar ao blog e para pôr as leituras em dia, tenho procurado ler umas coisinhas sobre o mundo online. À primeira vista, pode parecer que este post não será muito interessante para o mero leitor, mas não fujam já! No final, quero saber a vossa opinião, que são vocês os melhores avaliadores desta matéria.

É que, apesar de estas questões interessarem primariamente a quem tem blogs, quem dá o feedback são os leitores. Eu escrevo, mas também sou leitora, pelo que me parece pertinente expressar a minha opinião sobre os textos que me passam pela vista.

Correcção Ortográfica
Imagem de fonte desconhecida.

Tenho lido muitas coisas sobre optimização de conteúdos, sobre a importância da imagem e tantos outros saberes relevantes (a propósito, se são bloggers e ainda não conhecem, vale a pena dar um salto ao Bloggers Camp), mas poucas menções vejo a algo muito simples e que faz toda a diferença: a correcção ortográfica.

Por muito que os assuntos sejam interessantes, não é feio quando estão minados de erros ortográficos e de sintaxe? O pior é que até nos ditos sites de imprensa profissionais eles aparecem, e muitas vezes poderiam ser evitados se os autores fizessem uso de dicionários como o Woxikon, que até ajuda a perceber o sentido de algumas palavras parecidas, quando surgem dúvidas.

Eu sei que não sou perfeita e que, de certeza, existem alguns gafanhotos por aqui. Porém, tenham dó! Há limites. E aqui fica um conselho: se dão alguns erros e têm consciência disso, o melhor é mesmo pedir a algum amigo (ou dois!) que leia antes de carregarem no botão “publicar”. Aposto que eles não vão importar-se de ter a honra de ler os vossos artigos em primeira mão e, com certeza, o vosso trabalho terá muito mais qualidade. É garantido!

Tenho ou não tenho razão?

As Carnes e o Cancro

baconcookies
Biscoitos do Dia dos Namorados da Whipped Bakeshop.

Esta semana, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um parecer sobre a associação entre o consumo de carnes processadas e o aumento da probabilidade da ocorrência de cancro. A notícia foi analisada e deturpada, sendo transmitida pelos media com muito alarmismo.

Pois bem: é importante saber interpretar a informação a que temos acesso e, de qualquer forma, o que foi dito não transmitiu (quase) nada de novo. Já todos sabíamos que comer carnes processadas em excesso faz mal. Todos os excessos fazem mal. No mesmo saco, foram metidas as carnes vermelhas. Mais uma vez, todos sabemos que comer carnes vermelhas em excesso faz mal. Já toda a gente sabia das potenciais consequências do consumo excessivo destes alimentos e o que surgiu agora foi uma série de conclusões relacionadas com estudos comparativos entre determinados hábitos e substâncias.

Segundo o que está descrito no site da OMS, a questão das carnes processadas e das carnes vermelhas foi uma das prioridades da Agência Internacional de Investigação do Cancro, com base nalguns estudos epidemiológicos que sugeriam que havia um pequeno (pequeno!!!) aumento do risco de alguns cancros que poderia estar associado ao consumo excessivo destes alimentos. As carnes processadas foram classificadas como carcinogénicas para os humanos, à semelhança do tabaco. Contudo, os perigos de consumo não são iguais. O que se considera nesta classificação é a evidência científica que diz que um determinado agente é cancerígeno e não especificamente o grau de risco desse agente.

O Global Burden of Disease Project estima que haja cerca de 34000 mortes a nível global (recordem-se que há uma população total estimada de 7.3 biliões de pessoas em todo o mundo) por cancros cujas causas podem (podem, não há certezas!) estar relacionadas com o consumo excessivo de carnes processadas. No que concerne às carnes vermelhas, é referido que não se determina que sejam uma causa de cancro, embora as dietas ricas em carnes vermelhas possam estar na origem de 50000 mortes por ano. O consumo de tabaco, o consumo de álcool e a poluição atmosférica originam um número bem maior de mortes por cancro anualmente (1000000, 600000 e 200000, respectivamente).

Não é por comerem umas fatias de bacon ou irem ao Mc da vida de vez em quando que vão morrer de cancro. Tal como se aprende na escola e tal como é constantemente apregoado um pouco por todo o lado, já se sabia que há alimentos que devem ser mais valorizados que outros e porquê. Também não é novidade que estes alimentos polémicos contribuem não só para o aumento risco de cancro mas também de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes, entre outras, quando consumidos em excesso. O melhor é mesmo evitar as carnes processadas, mas também se sabe que o consumo esporádico de carnes vermelhas é importante (este detalhe é salientado pela OMS!) porque nos fornece nutrientes que não encontramos com facilidade noutros alimentos.

Mais vale prevenir que remediar. Neste sentido, não é esclarecido pela OMS ou pelo Global Burden of Disease que acompanhamento é que foi feito aos doentes com cancros associados ao consumo excessivo de carnes processadas (e possivelmente de carnes vermelhas). Há que destacar a importância das visitas regulares ao médico e da atenção aos sintomas anormais e que podem ser determinantes perante um cenário de doença. O melhor é mesmo manter uma alimentação e estilos de vida saudáveis, mas sem fundamentalismos. Procurem variar e equilibrar o consumo de alimentos, e sejam felizes!

Contra-notícias

liz taylor classroom
Elizabeth Taylor,18, numa sala de aula na Hollywood’s University High School, no dia da sua formatura. Foto por Peter Stackpole. Hollywood, 19 de Janeiro de 1950

Um dia destes, saltou-me à vista na timeline do Facebook um cabeçalho de um artigo etiquetado como sendo de “outdoor e alimentação saudável” num conhecido site português. O título era Como a musa da Intimissimi perdeu 12 quilos em dois meses. Bonito! Só por aqui, já dava para adivinhar que vinha dali asneira. E veio.

Lê-se uma espécie de entrevista a uma rapariga que mede 1.66m e actualmente pesa 50kg, mas já pesou 62kg e considerava-se gorda. Está no seu legítimo direito. Creio que cada pessoa deve fazer por ficar bem consigo própria. Quem não está bem, deve mudar. Mas há cuidados a ter, e a imprensa deveria ter um papel activo neste processo de consciencialização. A ideia que o texto transmite é que, efectivamente, esta rapariga que mede 1.66m era gorda quando pesava 62kg, o que estava longe de ser verdade.

Há noções elementares quando se realiza uma entrevista, e uma delas é a imparcialidade. Isto aprende-se na escola. Era o mínimo que se pedia, já que o texto não tem, de todo, ponta por onde se possa pegar. Nesta entrevista, há julgamentos por todo o lado. Desde a primeira à última questão: “ganhou 12 quilos, sem ter muita noção”, “quando e como é que caiu em si?”, “os seus amigos e pais não a chamavam à atenção?” (adoro a formulação desta última questão, a sério).

As respostas que surgem de seguida são típicas de uma pessoa desinformada e nem deveriam ser transmitidas em modo de incentivo a que outras pessoas sigam o mesmo exemplo. No final da entrevista, lá surge um parênteses a desencorajar outras pessoas de seguirem o mesmo caminho, por parte da entrevistada. Mas no geral, é isto que temos: maus hábitos alimentares, dietas drásticas e nada aconselháveis, muitas falácias. A entrevistadora ainda pergunta à modelo se “tem orgulho e gosta de ser saudável”. Perder 12 quilos em 2 meses (recorrendo a uma alimentação que não se aconselha a ninguém) é ser saudável?

Ser saudável é aceitar-se sem cair em extremos, é comer de forma variada e dar ao nosso organismo toda a nutrição de que necessita (sim, isso inclui a ingestão de hidratos de carbono!), é praticar exercício físico, é conviver, é ser feliz, é não ter de ouvir, sequer, insinuações alheias e muito menos ter de dar satisfações por sermos assim ou assado.

Muito sinceramente, preocupa-me que o maldito artigo tenha potencial para chegar a tanta gente e que, infelizmente, possa causar transtornos a quem não vai, sequer, questionar o que leu. Não sei como esperam que se mudem mentalidades e que se acabe com problemas graves como os distúrbios alimentares e toda uma panóplia de doenças mentais associadas quando nos espetam com pérolas literárias destas no ecrã.

Muito se fala da autoestima e da autoimagem, muito se promove a aceitação da diferença, mas estamos em 2015 e ainda se permite que haja conteúdos perigosos em destaque sem que haja uma chamada de atenção. Por favor, tenham muito cuidado com a informação que vos é oferecida e não se deixem influenciar por tolices!

Quando é aceitável vestir roupa quente?

Quando chegamos às meias estações, acontece sempre um fenónemo bizarro em que saímos à rua e encontramos pessoas todas descascadas, de calções e chinelos, e outras todas encasacadas, como se estivéssemos no pico do Inverno.

É estranho, ninguém gosta de assumir que, eventualmente, vai parar a um dos extremos, e creio que há uma questão que passa pelas cabeças de todos nós a dada altura: a partir de quando é que é aceitável sair à rua com a roupa da estação seguinte?

Eu sou da opinião que não vale a pena ser mais papista que o Papa. Ainda por cima, actualmente, as estações do ano parecem estar “diluídas” e todos os dias é o salve-se quem puder. Não podemos confiar nas previsões meteorológicas, porque sai sempre tudo ao lado. Sabemos que se levarmos o chapéu de chuva, não vai chover. No dia em que o deixarmos em casa, apanhamos uma molha dos diabos.

O melhor é, na minha opinião, não fazer grandes planos quanto ao que se vai vestir durante a semana e procurar compor a toalete por camadas. Assim, não corremos o risco de vestir a mais nem a menos. Não passamos frio e, se tivermos calor, é só tirar o agasalho, echarpes, o que for preciso. Ninguém precisa de calçar autênticas pantufas em Outubro, mas creio que não é o fim do mundo se nos apetecer calçar algo como umas botas de cano alto.

É como em tudo: o importante é ter bom senso e ser feliz!

Dos gostos e da idade

Dou por mim a pensar, muitas vezes, em como gosto de determinada coisa e não me imagino a desgostar dela daqui a algum tempo. Aplica-se aos hobbies, à comida, à música e, para um efeito mais prático, ao vestuário.

Imaginamos que determinada peça vai ser sempre das nossas preferidas e, de repente, puff, lá está ela a um canto, esquecida, até que acaba por ir embora do nosso guarda-roupa para fazer outro alguém feliz. Não vos acontece?

Não creio que seja só uma questão de ciclos. Habitualmente, percebo bem as diferenças entre o que poderei voltar a usar mais tarde (e, nesse caso, guardo. E é por isso que tenho muita, muita roupa!) e o que é efémero no meu roupeiro. Num outro segmento, há aquelas peças que continuam a ter piada passado uns tempos, mas que parece que já não nos enchem as medidas. Estamos crescidas de mais para elas. Quando as vestimos, parece que voltámos ao tempo do liceu, não de uma boa maneira. Sabem do que falo?

Não sei se sou a melhor pessoa para tecer considerações sobre as idades e as roupas, já que assumo orgulhosamente que compro várias coisas na secção infantil. Mas, ainda assim, paira no ar esse dilema.

Ajudinha para Ultrapassar Desamores

Marilyn Monroe no filme The Seven Year Itch (1955)
Marilyn Monroe no filme The Seven Year Itch (1955)

Tod@s nos deparamos com este cenário, mais cedo ou mais tarde: sem que tenhamos grande domínio sobre a situação, aquela pessoa que nos faz sentir coisas bonitas e aparentava estar ao nosso lado desaparece da nossa vista e nós ficamos a sentir-nos super tristes e impotentes. É uma desgraça, parece que é o fim do mundo, mas sabem o melhor? É temporário!

Para algumas pessoas, o que aqui vou dizer pode parecer elementar, mas um bocadinho de motivação nunca fez mal a ninguém e a troca de ideias sobre estes assuntos é sempre bem vinda. Não sou expert na matéria, mas já tenho aferido algumas coisas e gostava de dar uma ajuda a quem está neste barco. Volta e meia, recebo emails e mensagens e condenso aqui o que tenho dito. Tudo resultado da experiência própria!

  • Bem sei que é muito fácil falar, mas tentem analisar a situação de outra perspectiva. Mais cedo ou mais tarde, concluímos que era assim que tinha de ser. Afinal, merecemos muito melhor que quem não quer saber de nós. Verdade? Acreditem, esse alguém chegará, se tiver de ser. Ninguém faz mais por nós do que nós própri@s.
  • Não se sintam mal por ficarem tristes. É natural que haja um processo de luto. Afinal, houve uma perda e há uma transição. Chorar, por vezes, é necessário. Não se culpabilizem nem tentem entender o que não tem explicação.
  • Desabafem, desabafem, desabafem. Não descurem a importância dos amigos e, caso seja necessário, recorram à ajuda de profissionais. É para isso que eles existem, certo? Para nos ajudar. Engolirem toda a mágoa e todos os transtornos não vos vai levar a lado nenhum, jamais.
  • Se possível, evitem os sítios que frequentavam com a pessoa. Nos primeiros tempos, digo. Afastem as lembranças. Apaguem as músicas que vos tragam recordações, mesmo que isso signifique que ficam sem músicas na playlist. Ora aí está uma bela oportunidade para descobrir novas músicas!
  • Se for necessário, apaguem os contactos todos que têm da pessoa. Bloqueiem-na nas redes sociais. Dói não poder compensar aquele instinto de falar ou bisbilhotar o que têm feito, mas isso passa. E passa mais facilmente assim do que a baterem na mesma tecla por meses a fio.
  • Mantenham-se entretid@s. Os tempos mortos são o pior para a nossa mente maldita nestas alturas. Façam coisas bonitas, encontrem novos hobbies, canalizem a tristeza para bons fins. Vivam os vossos dias de forma a que, no fim, se encontrem exaust@s de boa produtividade e consigam descansar em paz.
  • Não descurem a vossa imagem e a vossa saúde. Por vocês e para vocês, mantenham-se lind@s e maravilhos@s, no vosso melhor. Se o que vemos no espelho nos agrada, é meio caminho andado para tudo o resto nos correr bem.
  • Não tentem, sequer, procurar alguém para preencher o vazio que ficou. Mais vale estar só que mal acompanhad@ e é muito importante reconhecermos o valor que temos a sós. A sós, não! Connosco própri@s. Quando e se tiver de aparecer alguém, a seu tempo saberemos.
  • Também não tem mal nenhum se vos apetecer conhecer pessoas novas e sair com elas, if you know what I mean. Contudo, estejam conscientes do que se passa e não se enganem nem a vocês nem aos outros. Faz parte, pode saber bem. Pode não saber a nada. Podem ficar ainda mais tristes. É assim que se aprende. Ninguém morre (é preciso é ter cuidado!), a vida segue o seu curso normal.
  • Não se fechem ao mundo nem guardem rancores. Às vezes não parece, mas quando o sol nasce, é para todos! O amor é como as marés…

Resumindo e concluindo, reguem-se com muito amor próprio e bola p’rá frente! Alguém em “recovery” por aí? Quais são as vossas dicas?

Síndrome do Pé Descalço

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Marilyn Monroe, fonte desconhecida.

Em tempo de Verão, e já que assim me encontro de momento, gostava que discutissem uma questão comigo. Se há coisa que me faz confusão, é que as pessoas andem por casa com os sapatos da rua. Contra mim falo, que também o faço – em casa dos meus pais, que são eles que ditam as regras e rotinas e não se ralam com coisas destas. Quando tiver a minha, podem ter a certeza que há-de existir uma sapateira à porta e que anda tudo descalço.

Podem ser minhoquices minhas, mas analisemos bem esta questão: por que havemos nós de passear os micróbios feios da rua por casa? Eu gosto de poder estar à vontade, sentar-me no chão se me apetecer, sem ter de pensar que pelo meio há vestígio de xixis de bichos e outras coisas pouco bonitas.

Depois, andar descalço é das melhores coisas do mundo. Não é tão bom andar de pés ao léu a sentir chão limpinho? Este método até ajuda a impor hábitos rigorosos de limpeza da casa, o que a mim não soa nada mal. Na pior das hipóteses, que se usem uns pantufos ou chinelos de enfiar o dedo. Tudo menos os sapatos da rua!

Se calhar, sou eu que sou maluquinha. Por favor, digam-me que não sou a única!