Categoria: Cultura

Contra-notícias

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Elizabeth Taylor,18, numa sala de aula na Hollywood’s University High School, no dia da sua formatura. Foto por Peter Stackpole. Hollywood, 19 de Janeiro de 1950

Um dia destes, saltou-me à vista na timeline do Facebook um cabeçalho de um artigo etiquetado como sendo de “outdoor e alimentação saudável” num conhecido site português. O título era Como a musa da Intimissimi perdeu 12 quilos em dois meses. Bonito! Só por aqui, já dava para adivinhar que vinha dali asneira. E veio.

Lê-se uma espécie de entrevista a uma rapariga que mede 1.66m e actualmente pesa 50kg, mas já pesou 62kg e considerava-se gorda. Está no seu legítimo direito. Creio que cada pessoa deve fazer por ficar bem consigo própria. Quem não está bem, deve mudar. Mas há cuidados a ter, e a imprensa deveria ter um papel activo neste processo de consciencialização. A ideia que o texto transmite é que, efectivamente, esta rapariga que mede 1.66m era gorda quando pesava 62kg, o que estava longe de ser verdade.

Há noções elementares quando se realiza uma entrevista, e uma delas é a imparcialidade. Isto aprende-se na escola. Era o mínimo que se pedia, já que o texto não tem, de todo, ponta por onde se possa pegar. Nesta entrevista, há julgamentos por todo o lado. Desde a primeira à última questão: “ganhou 12 quilos, sem ter muita noção”, “quando e como é que caiu em si?”, “os seus amigos e pais não a chamavam à atenção?” (adoro a formulação desta última questão, a sério).

As respostas que surgem de seguida são típicas de uma pessoa desinformada e nem deveriam ser transmitidas em modo de incentivo a que outras pessoas sigam o mesmo exemplo. No final da entrevista, lá surge um parênteses a desencorajar outras pessoas de seguirem o mesmo caminho, por parte da entrevistada. Mas no geral, é isto que temos: maus hábitos alimentares, dietas drásticas e nada aconselháveis, muitas falácias. A entrevistadora ainda pergunta à modelo se “tem orgulho e gosta de ser saudável”. Perder 12 quilos em 2 meses (recorrendo a uma alimentação que não se aconselha a ninguém) é ser saudável?

Ser saudável é aceitar-se sem cair em extremos, é comer de forma variada e dar ao nosso organismo toda a nutrição de que necessita (sim, isso inclui a ingestão de hidratos de carbono!), é praticar exercício físico, é conviver, é ser feliz, é não ter de ouvir, sequer, insinuações alheias e muito menos ter de dar satisfações por sermos assim ou assado.

Muito sinceramente, preocupa-me que o maldito artigo tenha potencial para chegar a tanta gente e que, infelizmente, possa causar transtornos a quem não vai, sequer, questionar o que leu. Não sei como esperam que se mudem mentalidades e que se acabe com problemas graves como os distúrbios alimentares e toda uma panóplia de doenças mentais associadas quando nos espetam com pérolas literárias destas no ecrã.

Muito se fala da autoestima e da autoimagem, muito se promove a aceitação da diferença, mas estamos em 2015 e ainda se permite que haja conteúdos perigosos em destaque sem que haja uma chamada de atenção. Por favor, tenham muito cuidado com a informação que vos é oferecida e não se deixem influenciar por tolices!

Rota de Tapas – 5ª Edição

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No dia 21 de Maio, começou a 5ª edição da Rota de Tapas Estrella Damm em Lisboa (3ª edição no Porto). Até ao próximo dia 7 de Junho, será possível tapear pelos bairros da Madragoa, Bairro Alto, Príncipe Real, Alfama, Cais do Sodré e Rossio (Baixa e Ribeira no Porto), degustando diversas tapas com ingredientes dentro do mote Sabores da Terra e do Mar.

Por 3€, será possível degustar 1 tapa + 1 mini Estrella Damm e coleccionar os carimbos no mapa do percurso. Com dois carimbos, podem andar à boleia de Tuk Tuk entre os diferentes estabelecimentos. Com três carimbos, podem habilitar-se a uma viagem a Barcelona e um jantar no famoso restaurante Ticket.

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Esta é uma oportunidade de passear e provar novos sabores, e nesta edição parece que até o clima ajuda e convida a que participemos. Eu já dei a minha voltinha, tendo começado pelo Tapa Bucho, pela Velha Gaiteira e pelo Kizzy. Devo dizer que a tapa do Tapa Bucho foi a minha favorita (podem ver do que se trata no mapa e aconselho que provem).

Vão aproveitar ou já aproveitaram para ir tapear?

Etiquetagem

Estava para aqui a gatafunhar um texto sobre o assunto dos padrões de beleza e estereótipos para publicar um dia destes. Não era urgente, até porque pretendia meditar mais sobre uma conversa que se desenrolou hoje de manhã. Não só matutei muito no assunto, como agora me deparei com o vídeo que vos mostro, de uma campanha da Dove, pelo que me parece que este post estava premeditado para agora.

Nós, pessoas, nós, mulheres, somos tão ruins connosco próprias que dá dó. Dizia uma senhora baixinha e obesa algo como “Sou simpática e inteligente, tinha de ser feia. As coisas têm de se equilibrar, não ganhei a lotaria genética, não sou alta, magra nem loira, mas tenho bons dons”. Foi no contexto académico, e o tom era de brincadeira, mas mesmo assim fiquei cheia de comichões. Olha que gaita, então agora só somos bonitas se formos altas, magras e loiras? Se formos top models? Era o que mais faltava! Não falem por mim, que eu não deixo.

Ainda não consegui compreender como é que pessoas que, aparentemente, são inteligentes e bem formadas depois são tão fúteis e se espalham com as questões da autoconfiança, do autoconceito e da autoimagem. A sério, duh, a sério que não se valorizam? A sério que não vêem beleza na diversidade, ou vêem mas só nos corpos alheios? É que isto de dizermos a quem gostamos que está muito bem fisicamente e que tem de se deixar de parvoíces é muito giro, mas muitas vezes não fazemos o mesmo por nós. E, acreditem, o amor próprio faz milagres e traz-nos as melhores ferramentas de beleza.

O vídeo da Dove é de dar cabeçadas na parede. Contra mim falo, possivelmente, que também tenho os meus piripaques pontuais, mas não gostava de encarnar em mais ninguém. Estou bem como estou, brinco e tiro partido do que tenho. Pergunto-me até que ponto estas inseguranças todas não derivam da maldade e mesquinhez da sociedade e dos media. Vivemos num mundo cruel, mas sou da opinião que em muitos casos a capacidade de assertividade poderia ser suficiente para resolver os dramas de muito boa gente.

Embora respeite a decisão, fico espantada com a quantidade crescente de pessoas que têm assumido as suas inseguranças e feito drásticas e perigosas modificações de cariz estético. Para quê? Será que é mesmo para agradarem a si próprias? Desde os “namorados” calhaus que são ofensivos e tecem comentários desnecessários, passando pelas famílias que tanto metem o nariz nos nossos pratos, é claro que algo não está bem na nossa cultura. Não podemos deixar que nos afectem com coisas tão parvas, nem podemos fazê-lo a outrem. Parece que, de repente, temos de obedecer a certos padrões e estereótipos (mais do que nunca, e que vão mudando velozmente), senão somos o “intruso” no meio do grupo.

É uma questão de educação: de todas as partes e para todas as partes. Se somos confiantes, somos fúteis, arrogantes e presunçosas. Se não somos, somos umas fracas. Cobram muito de nós. Parece-me que quanto mais se fala do assunto, piores são os resultados e maiores são os dramas! É vivermos felizes como somos e com o que temos e deixarmo-nos de lamúrias da treta. Pode ser?

Rio, eu te amo!

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Gostava de poder proferir as palavras do título com legitimidade, mas ainda não chegou o dia de visitar a cidade maravilhosa. Enquanto sonho, O Boticário trouxe até nós uma panóplia de fragrâncias inspiradas no Rio, da colecção com o mesmo nome que este post. São três fragrâncias femininas (Rio que Anima, Rio que Encanta e Rio que Curte) e uma masculina (Rio que Vibra) e aposto que ninguém fica esquecido no que toca às preferências olfactivas. São colónias agradáveis de várias famílias, que agradam facilmente, na minha opinião:

O Rio que Anima é um floral ambarado, com bergamota, pêra, gengibre, pimenta rosa e lima nas notas de saída. No seu corpo, temos maçã Gran Smith, frésia, açafrão, licha e lírio-do-vale. Na base, há sândalo, âmbar, baunilha, fava tonka, cedro e almíscar cativo.

O Rio que Encanta é um floral frutal com notas de saída compostas por frutas aquosas, framboesa e kiwi. No corpo, há peónia, frésia, galbano e acordes da floresta da tijuca. Na base temos cedro, âmbar e cumarina.

O Rio que Curte é um floral gourmand, com pêra, frutos vermelhos, pimenta rosa e bergamota nas notas de saída, flor de laranjeira, rosa vermelha e flor de íris nas notas de corpo, e acorde gourmand, almíscar branco, âmbar e patchouli na base.

Para os homens, há só uma opção, o Rio que Vibra, que é um fougère aromático. Na saída, tem notas de citrinos frescos, limão, bergamota e frutas verdes. O corpo é composto por rosmaninho, lavanda, noz moscada e fougère aromático. No fundo, tem sândalo, guáiaco, musco, almíscar e âmbar.

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Não me importava de ter os quatro perfumes, que os frascos são lindos e aposto que ficam a matar num toucador ou quarto de banho, como elementos decorativos. Todavia, há que ter bom senso e por isso tenho um favorito que adoro e uso,  o Rio que Curte. É o que tem o cheiro mais intenso e pesado, mas ainda assim feminino e delicado, sofisticado, a lembrar umas quantas fragrâncias a que estamos muito habituadas na Europa e que até há pouco tempo era difícil encontrar em marcas do outro lado do oceano. E que bem sabe curtir estes dias de Primavera antecipada com um cheirinho tão bom!

Do Referendo e das Praxes

Não gosto de trazer para o blog os assuntos dos media sensacionalistas. Por vezes, dou algumas opiniões na página do Facebook, mas costumo ficar por aí. Acontece que anda tudo exaltado, e apetece-me partilhar a minha humilde opinião sobre dois dos assuntos que andam na berra: o referendo da co-adopção de crianças por casais homossexuais e a questão das praxes académicas. Sem querer misturar os dois assuntos, avancemos com este dois-em-um.

Antes de mais, deixem-me que vos diga que andamos a perder tempo com assuntos de caricacá. No Portugal do Fado, de Fátima e do Futebol, é assim que acontece. Enquanto os senhores que nos governam planeiam a nossa forca, nós discutimos o sexo dos anjos. É assim com quase tudo, foi assim com o Eusébio e a história do Panteão Nacional, e como essa história já estava saturada e não vendia jornais e revistas, tivemos de encontrar uma nova ocupação.

Quem vê as notícias actuais, dirá que Portugal saiu da crise e está cheio de dinheiro. A sério! Ninguém consulta os portugueses para as questões realmente importantes. Ninguém quer saber de referendos quando é para tramar as nossas finanças e encher-nos de mais impostos e taxas, até porque não há dinheiro para referendos. Para transladar mortos e opinar sobre a vida e os direitos dos outros, prosperamos.

É ridículo que, neste momento da História, ainda haja cidadãos de segunda. Por que carga de água é que um adulto que deseje adoptar uma criança há-de ser impedido do seu propósito, seja ele solteiro, casado, hetero ou homossexual? Para além de as mentalidades terem de mudar, as burocracias também precisam de uma grande lavagem. As crianças precisam de uma família que lhes dê amor. Seja ela de sangue, ou não. Seja ela monoparental, ou não. Tenham as crianças um pai e uma mãe, dois pais, ou duas mães. As crianças precisam de estabilidade. Viver numa instituição ou em ambientes de negligência não é, de todo, algo desejável para uma criança.

E arrumem a porcaria dos preconceitos. Porque uma criança que tenha dois pais ou duas mães vai ser gozada na escola. Tretas! É da nossa competência ensinar às crianças que não se goza com os outros. Porque uma criança precisa do exemplo do pai e da mãe para perceber o papel dos géneros e para desabafar. Tenho muitos amigos que cresceram só com um dos progenitores, ou mesmo sem eles (com tios, avós e por aí fora) e não são maluquinhos da cabeça nem têm problemas de identidade. Porque com pais homossexuais as crianças também serão homossexuais. E eu que ia jurar que todas as pessoas homossexuais são filhas de relacionamentos entre um homem e uma mulher! Deve andar por aí à solta toda uma nova espécie de indivíduos que surgiram de fenómenos de geração espontânea. Porque somos religiosos e não é natural, está na Bíblia! Talvez devessem ler o Levítico e rever esse argumento nojento. E, de caminho, lembrem-se que Jesus Cristo teve dois pais! É esperar para ver no que é que esta palhaçada da co-adopção e do referendo vai dar.

Passando à história das praxes, parece que só agora é que se lembraram deste temível assunto. Sou anti-praxe. Talvez partilhasse de uma opinião diferente se na minha faculdade as praxes fossem uma espécie de fase de acolhimento e confraternização, sem rituais humilhantes. Afinal, é este um dos principais argumentos que os praxantes dão aos caloiros: que as praxes servem para os novos alunos se integrarem e fazerem amigos para a vida. Dizem-nos que, se não formos às praxes, não conheceremos ninguém e teremos muita dificuldade em encontrar material de estudo elaborado pelos alunos mais antigos.

Quando entrei para a faculdade, não foi preciso muito tempo na fila de espera para me matricular para perceber que as praxes ali eram o que eu abominava. Chamavam nomes aos novos alunos, sujavam-nos, gritavam com eles, faziam-nos olhar para o chão, entre outras coisas. Vejo alunos de algumas faculdades a cantarem palavras censuráveis nos transportes públicos, e outros a pedirem esmolas em estações de metro. Não sei onde é que esta panóplia de rituais é integradora e não humilhante. Fiz questão, de imediato, de me fazer ouvir junto da comissão de praxes e deixei registada a minha decisão de não me envolver em quaisquer praxes. Fui respeitada, apesar de tudo, e não tive quaisquer problemas de integração.

Contudo, penso que quem quer comparecer às praxes, deve fazê-lo, se é o que quer para si, e desde que não interfira com os outros. A minha liberdade termina onde começa a do próximo! Há muito sensacionalismo em torno da questão das praxes e muitas culpas mal atribuídas. Tão ladrão é quem rouba como quem fica à guarda, e creio que se quem é praxado se fizesse ouvir, quem praxa deixava de cometer muitas atrocidades e acabava-se o cruel argumento estou a fazer-te isto porque mo fizeram a mim.  Houve uma colega do meu curso, da minha faculdade, que partilhou a sua experiência no DN, e só serve para confirmar que as praxes são um exemplo do funcionamento da nossa sociedade no geral: preferimos procurar aprovação social em vez de nos destacarmos e certificarmos que a nossa opinião é ouvida e respeitada. Deixem-me que vos diga, algumas pessoas merecem a porcaria em que se metem…

Eu vou, eu vou…

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… À estreia do espectáculo dos Planeta Fluffen eu vou! E vocês também deviam ir. É já no próximo dia 30 de Janeiro às 21h30′, no Teatro Villaret (Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa).

Adorei a ante-estreia do espectáculo, em Dezembro, e prometi que iria voltar. Com amigos! Entretanto, foi divulgada a data por que toda a gente aguardava, mas com brinde. E, garanto-vos eu, é daqueles imperdíveis: uma série de surpresas e convidados especiais, como o senhor Ricardo Carriço (as senhoras mais velhas que eu, de tempos em que eu não me importava de ter vivido, perceberão parte do meu entusiasmo!). Por isso, se os Planeta Fluffen sozinhos já são os maiores, o que será que pode acontecer com outras figuras geniais em palco?

Ah, parte do valor dos bilhetes reverte para a recuperação da Casa dos Rapazes. Creio que já todos sabem do que se trata, mas se chegaram agora à Terra e isto vos soa a chinês, actualizem-se aqui.

Os bilhetes não são caros, e podem ser adquiridos aqui ou aqui, ou no próprio teatro (se não esgotarem entretanto!).

Acho que há motivos de sobra para não perdermos este espectáculo único e genial. Se forem, digam qualquer coisinha. Espero encontrar-vos por lá!

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Ou, perdão, Radiant Orchid. É esta a cor do Pantone para 2014. Possivelmente, já não é novidade para a maior parte de vós, mas ainda não tinha falado do assunto cá no blog nem dei a minha opinião.

Não sou grande fã desta cor para o vestuário e acessórios, e são pouquíssimas as peças de roupa que tenho em tonalidades semelhantes. Talvez seja um sinal para usar mais a blusa acetinada com gola em laçada que é tão bonita e que me deixa tão elegante, mas que não visto muito.

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No que toca à maquilhagem, pode ser que finalmente as mulheres se inspirem e comecem a atrever-se a usar batons em tons de lilás e roxo. Caso não saibam bem onde encontrar o batom perfeito nesta cor tão em voga, pode ser que ainda encontrem os da linha Make B Black Crystal d’O Boticário de que falei aqui. Nas unhas vai ser mais fácil, e é nesse domínio que tenho visto um maior investimento durante o primeiro mês deste ano. Curiosamente, consigo lembrar-me de umas quantas opções low cost que foram descontinuadas. Anda tudo dessincronizado!

Sinceramente, não esperava que esta tonalidade se tornasse numa cor do ano. Ando tão interessada noutras cores e noutros tons, que fiquei um pouco desapontada. Adoro roxo, adoro cor-de-rosa (oh, quem diria!…), até consigo gostar muito de algumas tonalidades de lilás mais frias ou mais fechadas. O Radiant Orchid não é bem a minha praia. Pode ser que tenha surpresas agradáveis e que termine o ano a gostar mais de lilás deste tipo.

Do Mau Humor

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Sou rabugenta e pareço os velhos dos Marretas, mas hoje não vou por aí. Apetece-me expressar o meu mau humor por causa do mau, péssimo, humor que é feito nesses sites portugueses todos com pretensões de serem o 9GAG, mas que acabam por ser piores que o /r/ do 4chan. A sério. Será de mim, ou os sites da risota e insólitos nacionais pouco têm para fazer rir? Não é preciso fazerem o pino nem coisa que o valha para me arrancarem boas gargalhadas, sou sarcástica, não tenho problemas com o humor negro e sou uma gozona de primeira apanha.

Possivelmente, exprimi-me mal quando falei em fazer rir como um dos principais objectivos desses sites. Impressionar? Talvez, pela negativa. Ganhar dinheiro fácil, nitidamente. Podem ter muitos lucros, embora, na minha opinião, seja feia a janelinha que surge em quase todos eles a dizer algo do tipo “clica aqui/partilha com os teus amigos para poder ver o conteúdo deste post“, e ainda mais feios ficam os títulos e miniaturas de imagens nas redes sociais. É ver quem produz os títulos mais brejeiros e quem utiliza o vocabulário mas ordinário. Eu fico chocada, muitas vezes sem dizerem um palavrão sequer, conseguem ser super ofensivos. Mandar quem quer que seja aos alhos e às folhas não é nada comparado com os conteúdos dos sites destes meninos. Alguém virá dizer que eles só escrevem assim porque é o que dá dinheiro e é o que as pessoas gostam de ler. Que óptimo para eles, que péssimo para quem se sujeita a ter poias destas a flutuar no Facebook e noutras redes sociais para toda a gente ver. Pérolas como “vê o fulano tal da casa dos degredos a fazer coisas na cama da fulana da mesma casa” (ok, substituam fazer coisas por vocabulário do mais nojento e humilhante que se lembrarem). Abri um site destes para ver um vídeo de um garoto que passou dois anos a tirar fotos a si mesmo para fazer um vídeo em stop motion acompanhado por uma música dos Queen e eis que tinha aquela nódoa na barra lateral. Quem reparou foi a minha mãe, e ficámos as duas enojadas. E enjoadas.

Não consigo compreender, nem que me façam um desenho, qual é a piada dos senhores vulgarecos e quase sempre machistas que se pavoneiam pela nossa Internet. Aliás, os desenhos existem e são… Sujos, muito sujos, e longe de terem a piada das “inspirações” originais. Pobre derp, pobre derpina! Devo ser a única pessoa a fugir de tais pasquins. Querem o meu like ou o meu share para contribuir para o vosso império de pestilência? Não o terão nem no dia 31 de Fevereiro, obrigada. Blherc!

Descolagem em três, dois…

… um… Chegámos ao Planeta Fluffen! E foi este um dos melhores presentes de Natal que recebi, antes da data habitual.

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Há cerca de duas semanas, fui convidada para assistir à ante-estreia do espectáculo de comédia musical dos Planeta Fluffen no Teatro Villaret. Do grupo, só conhecia o nome e pouco mais e fiquei contentíssima por saber que lêem o blog (pronto, vá, as namoradas lêem). Nem pensei duas vezes, não é todos os dias que nos convidam para rir e oportunidades destas não se podem desperdiçar. Quem me conhece, sabe que sou pior que os velhos dos Marretas, sou rezingona e sarcástica mas não dispenso boas gargalhadas.

Já sabia que seria um óptimo momento de bom humor, mas não esperava sair de lá a chorar nem ficar com a barriga a doer de tanto rir. Se é para fazer exercício e ser saudável, que seja com a terapia das gargalhadas!

Os Planeta Fluffen são formados pelo David Cristina, Hugo Marques, Joaquim Teixeira e Luís Coelho. São um quarteto muito completo: tocam, cantam, dançam, representam e as temáticas abordadas são de uma criatividade estupenda. Não está tudo programado: obviamente, há stand up comedy com muita música, mas também há muita interacção e improvisação com o público. Adorei o facto de, literalmente, gozarem com tudo e com todos sem pudor, mas com requinte. Têm mesmo muita piada, são genuínos, o espectáculo não é forçado nem conta com conteúdos ordinários e de mau gosto como vem acontecendo mais do que o desejável no panorama humorístico do nosso país. O grupo afirma que só diz parvoíces, mas eu diria antes que expressam de forma coerente algumas situações e pormenores que passam pela cabeça de toda a gente (se não passam, é possível simpatizarmos com o argumento na mesma!).

A partir de Janeiro, o espectáculo vai estar em cena no teatro Villaret e eu terei de lá voltar, desta feita com os meus amigos porque sei que toda a gente vai adorar a genialidade dos Planeta Fluffen. O grupo é o planeta estranho, mas eu é que devo ser o extraterrestre: quando falei do espectáculo a um dos meus melhores amigos, fez-me uma festa enorme porque já os conhecia de outra altura e pensou que já não regressavam.

Pois, sim, estão de volta e com muita força! Não percam o fio à meada, que eu também não: tenho a certeza que os Planeta Fluffen vão ter o merecido destaque no mundo do humor português porque são únicos, excepcionais e têm muito para dar aos portugueses. Por mim, só tenho a agradecer-lhes o privilégio de ter podido assistir à ante-estreia de um espectáculo que, espero eu, irá esgotar bilheteiras.

A Capital das Ruas Enfeitadas

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Estar em Mação nesta altura de Agosto e não visitar o Pereiro, A Capital das Ruas Enfeitadas, como se lê na tabuleta à entrada da localidade, é como ir a Roma e não ver o Papa. Não dá para perder esta festa típica em que se vê presente o empenho dos habitantes, que durante o ano fazem mais de cem mil flores para enfeitar as ruas. Aliando este festival de cores aos reencontros e bailaricos, penso que o Pereiro transmite na perfeição o que se passa no Verão nas pequenas terras de todo o país. Tenho orgulho na minha terra e espero que estas (e outras) tradições nunca se percam no tempo.

Sabiam que é aqui que está o maior girassol da Europa? Sim, o das fotos. Se estiverem aqui pela zona, visitem o Pereiro. Prometo que não se vão arrepender! Nos arredores, há várias praias fluviais, circuitos pedestres interessantes e muitos sítios para a petisquice. E, apesar de serem zonas rurais, há placas que indicam relativamente bem os caminhos para tudo o que interessa.

Aqui em Mação, está a decorrer o Festival do Arroz. No próximo fim-de-semana, temos as Festas de Santa Maria (também era habitual haver flores, mas…). Eu irei aproveitar tudo até ao último pingo de férias!