Utopia_by_charliethesinner
Isto de se aproximar a época de estágio tem muito que se lhe diga. Até costumo ser uma pessoa pacífica quando tenho de aguardar pelo que quer que seja, e não entro em pânico em testes e exames. Desta vez, tudo muda.
Sou masoquista o suficiente para não querer saber de mim nem me ralar muito com as coisas, gosto de deixar acontecer. Quando se trata do resto do mundo, cá estou eu toda ralada. Tenho muito, muito medo de falhar. De prejudicar alguém. De, graças à minha ignorância e à possível falta de condescendência de um orientador de estágio, sentir que pus alguém em risco, e que eu própria posso ter o curso em risco!
Então, fico ansiosa. E se em condições normais tenho sonhos estranhíssimos como este e estes, com a hora da verdade aí à porta, dá asneira. Pois dá!
Começou por, certa noite, sonhar que no estágio em lar de idosos tinha de entubar nasogastricamente um senhor que não tinha narinas e tinha a boca cosida. Triste, não? Lembro-me de, no sonho, uma das hipóteses a experimentar ser colocar as sondas através dos ouvidos. Não me perguntem como.
Na noite seguinte, sonhei que o meu avô materno ainda estava vivinho da silva aqui connosco e que havia um jantar onde também estava a minha avó paterna. E estavam os dois ao despique, não me lembro do motivo, mas sei que a discussão gerava em torno da dúvida sobre qual era a avó de quem eu gostava mais. E o meu avô ria, ria, porque eu tentava deixar as coisas equilibradas para que ninguém ficasse triste, mas aparentemente tudo tombava a favor da avó materna. E o avô riu tanto que teve um AVC. A Guida maluca, pois claro, tratava do assunto e começava a reabilitação ali mesmo. Era tão bom ser tudo assim tão simples, não era?
Depois, o amigo do rapaz. Sonhei que ele tinha doença pulmonar obstrutiva crónica e que ia ficar dependente de oxigenoterapia para sempre, mas não queria. Chorava baba e ranho porque o equipamento ficava mal com a roupa. Aliás, não gostava de se ver ao espelho por causa dos garfos nasais. E o rapaz dava-lhe nas orelhas: “eu bem disse, eu bem disse que não devias fumar!”. Como eu já estava farta de toda esta situação, fui pesquisar e descobri que havia um procedimento novo um pouco arriscado: os pulmões eram retirados e iam à lixívia, ficavam como novos. O único problema encontrava-se no facto de, como os pulmões ficavam branquinhos para sempre, se surgisse uma nova anomalia esta não seria visível.
Entretanto, já sonhei com múmias, com velhinhas arraçadas de Inspector Gadget, enfim…
Algo não está bem.

10 comments on “”

  1. Oh querida, que horror, como isso anda! Os teus sonhos são mesmo temáticos, em relação ao que te preocupa no dia-a-dia, fogo! 😛

    Inspiiira, expiiira, inspiiira, expiiira 🙂

  2. Pois é Guida, se eu pudesse decidir preferia só sonhar acordada, porque a dormir e quando passo por certas fases em que estou mais ansiosa, tenho sonhos que me fazem acordar de manhã exausta.

    Os teus até que deram um post engraçado! hehe

  3. Já me tinhas contado algumas desses sonhos!

    Que horror koisa mãe! Como consegues? Tem calma, senão chegas lá e dá-te o badagaio, como se costuma dizer.

    Tenho a certeza que tudo vai correr bem! e vais ser a melhor enfermeira que Portugal já teve, ahaha 😛

  4. Jedi: É questão de tempo, só não estou na equipa dele porque ainda não me descobriu.

    Massu: Oh, that's not true! You draw soooo much better than me 🙂 This is just an attempt to do some watercolor drawing.

    Hugs!

  5. Nopie nope! 🙂 It's a fact that I can't draw/ paint such cute waterdrawings. And your attempt is amazing (reminds me of a children's book illustration). You should do deffo more of them.

  6. Também já andei por Enfermagem e julgo que esses medos são comuns a quase todos os estudantes de Enfermagem…. Temos pouca experiência, lidamos com pessoas e temos medo de prejudicar alguém… A forma que arranjei de contornar os meus medos foi ganhar confiança em mim. Sempre fui muito segura em relação ao que sei e não sei. Se sei fazer, não há forma de fazer algo errado. Espero que esse estágio no lar tenha corrido, bem sei que não é fácil lidar com idoso (e já agora, ouvi imensas histórias semelhantes das “taradices”… Como me disse uma enfermeira, “estão velhos mas não estão mortos!”, na sequência de uma conversa sobre os esconderijos que eles arranjavam para os encontros sexuais…. 🙂 E já agora, e não menos importante, estou a adorar o teu blog!

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