Mulher que se preze anda de casa às costas que nem uma caracoleta.

Imagino que saibam perfeitamente o que é ter o ombro a doer ao fim do dia. Que se dane a saúde!

Sair de casa sem nos certificarmos que temos tudo aquilo que necessitamos, o que podemos vir a necessitar e o que não vamos de todo precisar é que não pode ser.

Falo por mim, que ainda no outro dia fiquei surpreendida porque passeava comigo uma série de panfletos de supermercados, uma Barbie e um desentupidor de canos. Estas coisas vão parar às nossas malas por obra e graça do Espírito Santo.

No meio disto, toda a gente (especialmente os homens) pergunta por que é que levamos tanta tralha connosco.

O facto é que acabamos sempre por transportar não só as nossas coisas mas também a carteira, as chaves, telemóvel, consolas portáteis e outros pertences de alguém.

Não vale a pena ligar às más línguas. Já sabemos que vamos ser velhotas com problemas dos ossos e das articulações. Já sabemos que nunca iremos dar uso a metade do que trazemos connosco.

Sabemos também que quanto maior for a mala que levamos connosco, mais coisas vamos transportar.

Mas uma mala pequena de mais acaba por ser inútil e não ter grande utilidade. Ninguém quer saber se na próxima estação as clutches estão em alta ou não, não são minimamente práticas!

Mas também ninguém quer sair à rua com o saco do supermercado, e já que vamos andar com a casa às costas, que o façamos em grande estilo.

Há quem prefira dar o couro e o cabelo por uma mala que dura toda uma vida. Há quem prefira encurtar o orçamento mas ter variedade.

A mim, seduz-me muito a ideia de ter uma mala toda pomposa, de uma marca de renome, que resista a ventos e tempestades, que chegue às mãos das minhas netas.

Com o dinheiro que já gastei em malas, poderia ter feito um investimento mais sério.

Eventualmente, poderia ter só duas ou três malas para toda uma vida. Acontece que enjoo das malas tão facilmente quanto enjoo das cores dos vernizes das unhas. Não posso andar dois dias com a mesma.

Tenho dezenas de malas. Parte herdei da minha avó (sofria do mesmo mal que eu). Dou uso a tudo. Ainda não estou satisfeita com o que tenho. Podia ser mais pragmática, mas a ideia não me agrada.

Quando as coisas se desgastam e estragam, é claro que seguem para o lixo. Isto abre espaço para novas malas e faz com que não me sinta tão culpada por cobiçar mais algumas nas lojas e montras deste Portugal e dos arredores.

Malas Spartoo
1. Balo 7, Fuchsia | 2. Fuchsia 8, Fuchsia | 3. Surf Scene, Rip Curl | 4. Norway Orfy, Jack Gomme | 5. Fuchsia 15, Fuchsia | 6. Safran, Little Marcel

5 comments on “Sobre andar de casa às costas”

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