nina caniche bichon cães flamvet
Nina com os amigos Tobias e Joana, depois da última tosquia. É feliz e faz tudo o que os outros cães saudáveis fazem.

Irritar é um verbo que me dá voltas ao estômago.

É feio, é rude, é insolente, é irritante.

Não gosto de Irritar e das irritações nem com molho de tomate, mas não encontro nada que descreva melhor o meu estado face à estupidez de algumas pessoas com quem tenho o desprazer de me ir cruzando na rua quando passeio a minha Nina.

Conversa vai, conversa vem, é muito frequente ter de explicar tudo o que se passou com a Nina de há dois anos para cá.

Podia não o fazer, mas toda a gente repara que a Nina vê mal e acabamos por explicar que é uma consequência da diabetes. Depois disso, surgem sempre muitas questões.

Diabetes, como nas pessoas? Como é que detectaram? E como é que tem sido desde então? E a bicha não sofreu?

Não foi um caminho fácil, foi preciso ter muita paciência e dedicação.

Mostrei-vos o pior. É claro que a Nina sofreu, e nós também sofremos. Fizemos o que as famílias devem fazer: estávamos num mau momento e tivemos de fazer tudo o que estava ao nosso alcance pela recuperação da Nina, sem garantias nem condições.

Felizmente, hoje em dia ela está bem. Ingenuidade minha, ingenuidade nossa, que foram estes os nossos exemplos e é assim que actuamos.

Será que num mundo onde até as pessoas são destratadas, os animais que são tão nossos amigos merecem o esforço? A questão que me deixa de cabelos em pé surge logo a seguir.

Por que é que não a abateram?

Sabe Deus como tenho de me controlar para não gritar e para não chamar nomes a pessoas destas. Abater? Abaquê? Os nossos animais são amigos, são família.

Os nossos animais não são objectos. Os nossos animais não são coisas. Os nossos animais não são lixo!

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Nina em recuperação, 3 meses após começar a ser tratada. Parece-vos que sofre ou está infeliz?

A forma como tratamos os nossos bichos mostra muito do que é a nossa sociedade, e é nestas alturas que fico sem vontade de acreditar nas pessoas.

Fico aflita com o panorama dos nossos lares e internamentos, e fico com vontade de chorar com algumas notícias sobre o que vai acontecendo de mau aos nossos idosos e outras populações vulneráveis.

Se somos assim com quem é da nossa espécie, como haveríamos de ser com as outras espécies? Gostava, pelo menos, que as pessoas tivessem consciência das barbaridades que dizem.

No fim da história, acabo por responder que não sei o que é o abate de que falam, mas que também não quero que me expliquem.

Sinceramente, tenho muita pena dos familiares, amigos e animais de todas essas pessoas, porque a avaliar pelo que dizem não se pode contar com elas nos momentos difíceis. Já eu, voltava a fazer tudo pela mana mais nova outra vez.

17 comments on “Abaquê?”

  1. O meu caozinho estava muito doente e dois veterinários isseram-me para o abater…não o fiz. Deus é quem dá Deus é quem tira! Fiquei com ele até ao seu ultimo dia e não me arrependo! :’)

    • É verdade, também há veterinários parvos. Não sei os contornos da história, mas posso afirmar que um dos factores que nos levou a confiar na veterinária actual da Nina (se fores ao post que escrevi há cerca de 2 anos, dá para entender que a anterior era uma besta insensível e incompetente que quase matou a nossa pequenina) foi o facto de ser contra esse tipo de medidas. Em conjunto connosco, fez tudo o que podia, fosse a que horas fosse, para salvar a cadelinha. Ainda hoje, está sempre lá.

      Aposto que o cãozinho partiu de forma digna, junto daqueles de quem gostava. As pessoas são diferentes, têm sentimentos e reacções diferentes perante as situações, mas partilho da mesma opinião.

      Beijinhos

  2. Como te endendo, a minha cadelinha tb têm alguns problemas de saúde e qd pessoas ignorantes e sem valores vêm com a história do abate dá-me uma impressão horrivel. A minha cadela é uma das minhas melhores amigas, não é por ter problemas que a vou abandonar mas infelizmente estes são os valores de algumas pessoas.
    Os animais fazem parte da nossa familia, nem quero imaginar o dia que ela já cá não estiver mas vou fazer de tudo para ela ter uma vida espetacular como merece.

    A Nina está linda e parece-me bem feliz.

    • Ainda há pouco ouvi, aqui onde estou, uma senhora a dizer algo do género “No dia em que a minha mãe já não for capaz, enfio-a num lar. Não estou para a aturar!”. Lembrou-me o sketch dos Gato Fedorento há uns anos atrás, o do “velhão”. Espera-se que esta pessoa conviva com animais de forma decente? É tão triste viver pensando que há pessoas assim, mal formadas.

      Beijinhos

  3. Tens toda a razão para estar irritada, ora bolas.
    Para essas pessoas, os animais não passam de um processo de reciclagem. Abate-se e arranja-se outro para substituir, porque fica mais barato. E sem qualquer remorso.
    Olha é a maneira que essas pessoas pensam, o que vais fazer? 🙂 Mudá-las? Boa sorte…

    Ainda há tempos tive uma conversa com uma pessoa que afogava gatos bebés, de forma a tentar ajudar. Mas uma conversa como se fosse de amigo para amigo a tentar explicar que se continua a dar a pílula à gata (que eventualmente acaba por se esquecer, porque tem tido várias ninhadas), vai-lhe ficar mais cara a pílula a longo prazo do que uma esterilização e assim evitava ninhadas indesejadas e posteriormente, ter que afogar os bichos.
    Esquece… Levou a mal.

    As pessoas são assim. Desde que faças o que te deixa a consciência mais tranquila, é o que importa. 🙂

    • Que horror! Uma pessoa assim nem sequer devia ter qualquer direito a adoptar um animal de estimação. A gata ainda não se virou contra ela? Que pena :\ Quando é que, neste país, se começam a penalizar comportamentos deste calibre? Apoiando os bichos, claro, que para defender os donos já temos leis que cheguem (embora muito mal feitas).

      Como dizes, realmente, o melhor é fazermos o que nos deixa a consciência mais tranquila. Fazer por nós e pelos nossos.

      Beijinhos

      • Se a gata se virou contra ela ou não, não faço ideia…
        Infelizmente é um tipo de comportamento típicicamente normal da geração dos nossos pais e avós (sublinho, a geração dos 60 anos prá frente e sei que nem toda a gente é assim). A minha mãe não achou mal e isso choca-me.
        O estúpido é que continuam a fazê-lo como se já não houvessem outras alternativas.
        Enfim, cá em Portugal não sei quando vão começar a criar leis para isso, mas era uma coisa a pensar :S

  4. A minha Pépita tem agora 10 anos, feitos há pouco tempo, e confesso que com cada ano que passo, tenho cada vez mais medo que ela tenha algum problema que… bem, tu percebes, que faça com que ela não viva tanto tempo quanto eu gostaria. Mas se isso acontecer, abater vai ser a última opção na lista e vou fazer o meu melhor para nem ter de a considerar. Não é de um momento para o outro que vou desistir da criatura que dorme todas as noites comigo, que salta para a minha cadeira e rouba-me quase o espaço todo quando estou ao computador, que salta e espirra de felicidade quando chego a casa, que brinca comigo, (que ocasionalmente se distrai e vai contra um armário e olha à volta, toda envergonhada, a querer saber se alguém viu). Cresci com ela e vice-versa, e tenho um amor por ela tão grande… Ás vezes o meu namorado, na brincadeira, pergunta-me “De quem é que tu gostas”, e eu respondo sem falha “De ti. E da Pépita.”
    Tenho uma loja de animais perto de casa, e eles têm lá escrito “Quem gosta, cuida.” Alegra-me ver o vosso amor e dedicação pela Nina, e fico contente por ela já está melhor. Era bom que todas as pessoas fossem assim com os cães e gatos, mas há tantos que não percebem porque é que o cão, em especial, têm a capacidade de ser o melhor amigo do Homem… tratam-nos como objectos.
    Desejo-vos tudo de bom, e que ela continue bem durante muito mais tempo!

    P.S: A Nina está super adorável nessa foto com o lápis! <3

    • Que corra tudo bem também com a Pépita! 🙂 E não é que os bichos, mesmo quando os donos os destratam, são fiéis? Não compreendo como é que há quem não dê valor aos amigos. Aliás, tenho sérias dúvidas que estas pessoas sejam amigas de alguém. Nem delas próprias. Como é que conseguem ficar de consciência tranquila? Como é que conseguem viver em paz com elas próprias?

      Beijinhos

  5. Sinceramente…

    Concordo plenamente contigo, não era de todo uma situação em que fosse necessária a eutanásia animal.
    Quando eu era mais nova, a minha mãe teve de escolher entre uma das nossas gatas sofrer até à morte ou a eutanásia, por amor escolheu desembolsar e aceitar a opção da eutanásia, mas foi uma situação em que a gata engoliu um fio de costura que apanhou sabe-se lá onde, e o mesmo deu nós e mais nós pelo intestino, a cirurgia correu bem mas são raríssimos os gatos que sobrevivem a este tipo de cirurgias, já o disseram várias vezes. Ora se a cirurgia foi OK, a recuperação foi KO… Os intestinos acabaram por morrer e ela ia morrendo lentamente e sofria bastante, passava dia e noite a chorar até que quando começou a sangrar (isto dois dias depois da alta) a minha mãe levou-a ao veterinário e não havia outra hipótese… Infelizmente foi o fim da nossa Tita…

    MAS no caso da Nina NÃO! Se havia soluções e esperança a gente tenta sempre o melhor para os nossos meninos!

    Mas há pessoas que vêem os animais como seres burros, substituíveis e brinquedos “Estragou? Arranjamos outro!” e é triste! São como tu dizes, são família! Caramba até o meu ratinho é uma jóia aqui em casa!

    A Nina é uma vencedora, acompanhei o desenvolvimento pois ainda estava grávida e já a Nina andava mal, cheguei a vê-la mesmo muito mal e debilitada (mesmo que tenha sido menos de meia dúzia de vezes), mas é uma enorme alegria vê-la bem e feliz e apaparicada, está a perder a vista, mas tem uma super família que trata dela! Ainda bem que ainda encontramos no mundo quem dê tudo o que pode e não pode pelos animais!

    Bem sei eu as saudades que tenho da minha Lady 🙁

    Enfim, força Nina 😀

    • Eheh obrigada 😀 Eu não quero imaginar a possibilidade de algo correr mal. Nesses dias em que a Nina esteve pior, e nem a veterinária acreditava que as coisas podiam melhorar, andámos tão tristes 🙁 Olha, foi pior do que tratar de um recém-nascido: de duas em duas horas, no mínimo, estávamos a pé para a picar (coisa complicada, uma pequena tortura) e medir a glicémia, e ainda tínhamos de a alimentar com um biberão. Forçá-la a comer, mesmo, porque voluntariamente ela não o fazia. Tínhamos de segurar a cabeça dela e forçar a entrada de comida pela boca. Custou? Muito. Mas valeu a pena, fizemos o que estava ao nosso alcance independentemente do que poderia acontecer a seguir. Felizmente, estamos cá todos 😀

  6. Tão fofinha a Nina 🙂

    Eu tive um gato, o MEU gato Simba, e tive-o durante 13 anos, desde os meus 8 anos. Ele era o meu menino, fazia-lhe tudo, até vestir com roupas de bonecos xD
    No entanto, com 9 anos teve uma insuficiência renal aguda, passou um fim-de-semana de sofrimento, ele e nós, que não sabíamos se ele estaria vivo quando acordássemos, na segunda foi de urgência para o vet, teve de ficar lá uns dias algaliado e a partir desse momento teve de tomar meia pastilha para fluidificar o sangue e ele passar mais “rápido” pelos rins, e comer uma comida especial da Royal Canin (já estão a ver os preços). Ora, isto surgiu numa altura em que estávamos sem dinheiro e foi uma conta de 500€ por causa do tratamento. Tivemos de pedir 1000 desculpas à vet, que foi uma querida e só pagámos quando tivemos possibilidade. A partir daí ele ficou muito bem, foi um gato feliz, mas 4 anos depois teve tinha, uma doença de pele que pode inclusivamente contagiar aos humanos. Levámo-lo ao vet, ele experimentou 3 tratamentos diferentes sem sucesso, gastámos para cima de 200€ no total e infelizmente não temos dinheiro para gastar assim… Quando eu não estava cá no Porto, a minha mãe pegou no Simba e levou-o a um vet conhecido da minha tia e perguntou honestamente se valia a pena continuar a tentar tratá-lo, ele disse que não, o bichinho além de ficar com o organismo todo lixado com os medicamentos, ele já não era novo e tinha vários quistos debaixo da pele, e que a tinha provavelmente apareceria no ano seguinte mesmo que ele ficasse tratado.
    Ele estava super infeliz, com uma gola para não se coçar e ficar todo ferido, não era o gato que eu conhecia, estava sempre parado num canto. A minha mãe mandou-o então abater, ainda bem que eu não estava cá senão não deixava… Quando voltei, ela contou-me, vim o caminho todo a chorar mas tive de me mentalizar que foi melhor para ele, ele estava a sofrer, senão ainda entrava em depressão ou algo do género.

    Com isto tudo quero dizer que não se pode dizer que o abate é uma coisa atroz e que não deve ser praticada, eu acho que em último recurso é o melhor para o bichinho não sofrer mais, claro que não concordo em mandar abater quando aparece uma doença e nem sequer se tenta curar, mas concordo quando já não há mesmo nada a fazer.

    Beijinhos e parabéns pelo blog, gosto muito da maneira como escreves, seja sobre beleza, seja sobre assuntos como este 🙂

    • Aí está algo que me aborrece. Se um drogadito vai à farmácia, tem seringas de borla. A Nina, como tem a sorte ou o azar de não ser pessoa, tem de as pagar para tomar insulina. Por que é que a saúde dos animais não é comparticipada, se inclusivamente até pode pôr a saúde das pessoas em risco? Pelos vistos, para os senhores que nos (des)governam, ser bicho é sinónimo de ser inferior.

      Abate e eutanásia são coisas diferentes. Sim, sou a favor da eutanásia quando já não há outras opções e os animais estão em sofrimento. É agoniante 🙁 No outro dia, passei pela má experiência de ver a cadelinha de um amigo meu antes de ser eutanasiada. A pobre teve um AVC e não reagia a qualquer estímulo exterior. Basicamente, respirava, porque o resto das funções já era inexistente. Não se mexia, não diria o olhar, não ladrava, não fazia as necessidades (de todo)…

      Beijinhos

  7. Bem… não é nada fácil falar disto …
    Nun ca mandei abater nenhum animal meu… Tem todos morrido de velhice…
    Mas aos meus… faço tudo por eles , tiro da minha boca pra lhe dar !
    Apesar deles nao passarem fome , tem o habito de pedir aquilo que eu como… nem que seja o ultimo camarão do meu prato eu dou !
    Criei os a todos a mão , dei biberão , limpei o rabo , ensinei a comer , a caminhar em condiçoes….
    Creio ser a mesma coisa que criar um filho 😀

    Agora imaginemos…. Alguem tem um filho com diabetes e fica cego…. Manda abater ????

    A estupidez humana esta cada vez maior e incompreensivel !

    • Como disse no meu (gigante) comentário, uma pessoa deve fazer de tudo para o animal ficar curado e viver feliz, quando não há mais nada a fazer e vês o teu amigo de 4 patas infeliz, sempre a tentar coçar-se e a não poder, quando consegue fere-se todo, eu acho que para ele e para nós é um alívio ele partir desse sofrimento constante. E se é para remeter as doenças para os humanos, imagina-te a morrer de comichão numa perna e a não poderes coçar porque algo te impede, davas em louca, não achas? A comichão é o primeiro nível de dor mas quando é constante e “insaciável”, digamos, torna-se mesmo numa dor “a sério”…
      Eu não acho que o abate seja algo assim tão alarmante, eles adormecem e não sofrem nada com aquilo mas, novamente, acho que deve ser o último recurso e quando o bichinho já está a sofrer e não há nada que se possa fazer.

      Quanto à bichinha da Guida, ela claramente está feliz e a recuperar bem, ainda está aí para as curvas por mais uns aninhos 😛

    • É tão complicado resistir quando eles nos pedem gulodices, não é? 🙁 Tivemos que começar a conter-nos, porque apesar de a Nina ficar feliz, há alimentos que lhe fazem muito mal. Especialmente agora! É preciso ter muito cuidado com o que damos aos nossos bichos, veja o que aconteceu à nossa pequena (maioritariamente) graças aos maus hábitos alimentares. Para nós, a Nina é gente. É melhor que muita gente. É FAMÍLIA 🙂 Quanto aos filhos dos outros, senhora dona Bruxa Má, já tenho visto de tudo 🙁 Até para se ser filho, ou cão, é preciso ter muita sorte.

      Beijinhos

  8. A canídea cá de casa já foi operada duas vezes, quando os veterinários já não davam nada por ela, e ainda está cá, para fugir de casa sempre que encontra uma porta aberta. A Nina parece ser um amor! O problema é haver muita boa gente que adota um animal, pensando apenas nos miminhos e brincadeiras, e esquece-se da mobília roída e das idas ao veterinário. Quando é preciso ensinar ou tratar do bicho inocente, muitas vezes preferem deixá-lo na rua. Arre!

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